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Leilões e usinas solares: por que os ricos estão investindo nesses ativos?
Fluxo de caixa previsível e retorno acima da média tornam usinas solares e leilões opções estratégicas para alavancar patrimônio
Em um cenário de juros ainda elevados, instabilidade econômica global e maior atenção à preservação patrimonial, investidores de alta renda têm buscado alternativas ao tradicional mercado financeiro. Os investimentos diretos combinam previsibilidade, proteção contra inflação e uma maior geração de renda. Nesse movimento, dois ativos vêm ganhando destaque nos portfólios mais sofisticados: imóveis adquiridos em leilões e investimentos diretos em usinas solares.
Nos últimos anos, investidores com grandes fortunas passaram a escolher aplicações que vão além dos mercados tradicionais e mais conectados à economia real: “Quem tem um patrimônio maior e o perfil mais arrojado, quer gerar uma rentabilidade maior ao fazer o investimento direto, como as usinas solares e os imóveis de leilão. Eles buscam mais controle e ativos que façam sentido no longo prazo, inclusive do ponto de vista sucessório”, explica o especialista em finanças Arthur Lemos, CEO e sócio-fundador da Empreender Dinheiro, ecossistema de consultoria patrimonial especializado em construção e proteção de patrimônio.
Leilões imobiliários
A aquisição de casas e apartamentos são os preferidos dos brasileiros, mas além da questão cultural, leilões imobiliários passaram a integrar estratégias patrimoniais estruturadas. Imóveis arrematados abaixo do valor de mercado permitem ganhos relevantes já na compra, seja para revenda, locação ou composição de patrimônio familiar.
“O grande atrativo do leilão é o desconto na origem. Comprar um imóvel que foi tomado pela instituição bancária com 30%, 40% e até 50% abaixo do valor de mercado, cria uma margem de segurança que praticamente não existe em outras modalidades de investimento”, afirma Lemos.
Além do potencial de valorização, imóveis adquiridos em leilão oferecem proteção contra inflação, geração de renda recorrente e, quando bem planejados, eficiência tributária. Por isso, são comuns em estratégias de investidores que pensam em diversificação e sucessão patrimonial.
Usinas solares
Outro movimento crescente entre grandes investidores é a alocação em usinas solares, especialmente em modelos de geração distribuída. O ativo combina características raras no mercado: contratos de longo prazo, previsibilidade de receita e alinhamento com a agenda ESG.
Essa forma de investimento pode ser comparada à aquisição de um imóvel para locação, com uma diferença fundamental: em vez de receber aluguel, o investidor passa a obter receita a partir da geração e compensação de energia elétrica. Na prática, o capital é direcionado para a construção da usina ou para a compra de participação em um projeto já estruturado, cuja energia produzida é utilizada para abater a conta de luz de empresas e consumidores finais por meio de contratos de longo prazo, garantindo previsibilidade de receita.
“Estamos falando de um ativo real, com fluxo de caixa recorrente e contratos que podem durar de 10 a 20 anos. Isso traz um nível de previsibilidade que poucos investimentos conseguem oferecer hoje”, explica Arthur Lemos, CEO e sócio-fundador da Empreender Dinheiro.
O valor necessário para investir em uma usina solar varia conforme o modelo adotado. Participações ou cotas em projetos de geração distribuída costumam exigir aportes iniciais que variam de R$ 100 mil a R$ 300 mil, dependendo da estrutura jurídica e das características do empreendimento. Já investimentos em usinas próprias ou com participação majoritária demandam volumes mais elevados, geralmente a partir de R$ 1 milhão, podendo ultrapassar R$ 5 milhões conforme a capacidade.
Em termos de rentabilidade, o objetivo da usina é ter um patrimônio de longo prazo e ter receita recorrente entre 1,6 e 2% por mês do valor investido, com geração de caixa mensal previsível e prazo de retorno, o payback, que costuma variar entre cinco e seis anos. Tanto leilões quanto usinas solares exigem análise técnica, planejamento jurídico e visão patrimonial integrada. É por isso que esses ativos costumam aparecer com mais frequência nos portfólios de investidores mais arrojados.
“A melhor parte desse tipo de investimento é a possibilidade de gerar uma rentabilidade maior já que ele elimina "intermediários" no processo. Isso aumenta o potencial retorno para o investidor, pois sobra mais margem na operação. E a grande vantagem de ter uma consultoria financeira é que nós planejamos todo esse portfólio e nós implementados pelo cliente. Ou seja, nós construímos a usina, ele aporta e recebe os lucros acordados. O mesmo vale para leilões e outras verticais”, conclui o CEO da Empreender Dinheiro.
Tudo isso faz parte de um plano maior de construção, proteção e expansão do patrimônio, algo que famílias ricas sempre fizeram e que hoje está mais acessível, desde que bem orientado. Em um mercado cada vez mais competitivo, a diferença entre especular e investir está na estratégia. E os ricos parecem já ter entendido isso.
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