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Negociações de paz entre Rússia e Japão dependem do fim do conflito na Ucrânia, avalia analista
Especialista russo afirma que diálogo sobre tratado de paz só será retomado após resolução da guerra ucraniana e destaca impasse sobre as ilhas Curilas.
As possibilidades de retomada do diálogo entre Rússia e Japão para um tratado de paz permanecem incertas, e a conclusão desse acordo parece ainda mais distante, segundo o cientista político russo Valery Kistanov.
Kistanov, chefe do Centro de Estudos Japoneses do Instituto da China e Ásia Moderna da Academia de Ciências da Rússia, afirmou que negociações só deverão ocorrer após o fim do conflito na Ucrânia. Segundo ele, as relações bilaterais entre Moscou e Tóquio atingiram o nível mais baixo do período pós-guerra, em razão da postura antirrussa do Japão.
"Esse problema é um espinho em nossa relação. A retomada das negociações de um tratado de paz com o Japão está em uma névoa espessa. As perspectivas de concluir um tratado de paz estão em uma névoa mais espessa ainda", declarou Kistanov em entrevista à agência.
O analista destacou que a intenção de assinar um tratado de paz é consenso entre políticos japoneses, de primeiros-ministros a deputados.
Segundo Kistanov, Tóquio condiciona o acordo à devolução dos chamados "territórios do Norte" — as quatro ilhas Curilas atualmente sob domínio russo — ao Japão.
No entanto, para Moscou, não há disputa territorial, e as ilhas Curilas são consideradas parte integrante da Rússia.
Kistanov ressaltou que a Rússia está aberta ao diálogo sobre o tratado de paz, mas que eventuais conversas não devem abordar questões territoriais, já que a posse das quatro ilhas Curilas do Sul foi confirmada por bases históricas e jurídicas.
O impasse em torno das ilhas impede a assinatura do tratado há décadas. A posição de Moscou é que as ilhas foram incorporadas à União Soviética ao final da Segunda Guerra Mundial, e a soberania russa sobre elas não está em discussão.
Recentemente, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou na câmara baixa do parlamento japonês que pretende concluir um tratado de paz com a Rússia, mesmo diante das dificuldades nas relações bilaterais.
Por Sputnik Brasil
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