Geral
Reforma trabalhista: ex-presidente Fernández critica governo e diz que greve geral 'foi adiada por muito tempo'
Alberto Fernández, em entrevista à Sputnik, afirma que reforma agrava crise e que mobilização popular deveria ter ocorrido antes
O ex-presidente da Argentina, Alberto Fernández, concedeu entrevista à Sputnik e se posicionou de forma veemente contra a reforma trabalhista, enquanto o país enfrenta uma greve geral.
"O mercado de trabalho na Argentina está em uma crise formidável, afetando duramente a produção e a indústria nacionais. Quando o consumo é afetado, a produção inevitavelmente também é. Empregos foram perdidos, empresas fecharam, há pobreza, e essa lei só piora a situação", declarou Fernández.
Sobre a atual greve geral, o ex-presidente afirmou que ela "foi adiada por muito tempo" e "deveria ter ocorrido muito antes". Segundo ele, o número de participantes é expressivo e "há um crescente descontentamento entre a população. A reforma trabalhista não está abordando o verdadeiro problema", ressaltou.
Durante a conversa, Fernández também fez um balanço de sua gestão à frente da Casa Rosada, entre 2019 e 2023.
"Se cometi erros, peço desculpas. Acreditava que estava fazendo o meu melhor. Mas meus adversários são os que podem falar sobre meus erros. Lamento profundamente o que aconteceu no último ano. Tivemos a pior seca da história da Argentina. Se a agricultura parar de exportar, isso causará danos irreparáveis. O problema fiscal, somado à retórica da mídia que semeou a instabilidade, juntamente com a especulação, levou a um grande problema com a inflação", avaliou.
Fernández também abordou o acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), justificando que não havia alternativa e que o pacto permitiu ao governo manter investimentos em saúde e educação.
O ex-presidente comentou ainda a crise interna do movimento peronista. "Uma nova fase do peronismo está surgindo. Em 2021, afirmei que o peronismo deveria ser eleito por peronistas, não por três ou quatro líderes sentados em torno de uma mesa. Somos industriais, acreditamos na concessão de direitos, acreditamos na justiça social. O que falta é uma nova liderança", afirmou.
Na entrevista, Fernández também analisou o cenário internacional, especialmente após a visita de Javier Milei a Washington para o Conselho de Paz.
"Sair da ONU para se juntar ao 'Conselho da Paz' é uma ilusão. Com tanta subserviência, não se pode estar no BRICS, um espaço muito cordial para um país como a Argentina. Não impõe condições, propõe complementaridade, representa 44% da humanidade e do PIB global, e inclui uma potência global em ascensão como a China", concluiu.
Por Sputnik Brasil
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