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Mercado de trabalho dos EUA mantém resiliência, mas ritmo de contratação desacelera, aponta IIF

Institute of International Finance alerta para crescimento próximo ao limite e risco de alta no desemprego em 2026

19/02/2026
Mercado de trabalho dos EUA mantém resiliência, mas ritmo de contratação desacelera, aponta IIF
Mercado de trabalho dos EUA mantém resiliência, mas ritmo de contratação desacelera, aponta IIF - Foto: Reprodução

O mercado de trabalho dos Estados Unidos segue resiliente nos indicadores agregados, mas a dinâmica de contratação mostra sinais de enfraquecimento, conforme relatório divulgado nesta quinta-feira (19) pelo Institute of International Finance (IIF). Para 2026, o IIF avalia que o mercado opera próximo à chamada "velocidade de estol": ainda apresenta crescimento, porém com margem cada vez mais estreita.

Segundo o instituto, com a criação de empregos próxima ao nível de equilíbrio, choques modestos podem ser suficientes para elevar o desemprego.

No estudo intitulado 'Mercado de trabalho dos EUA estável apenas por aritmética', o IIF destaca que o avanço de 130 mil vagas em janeiro e a leve queda da taxa de desemprego de 4,4% para 4,3% sugerem solidez à primeira vista. No entanto, ao analisar toda a trajetória de 2025, o cenário se mostra mais moderado.

De acordo com o IIF, a média mensal de criação de empregos em 2025 foi de cerca de 15 mil postos, número bem inferior à média superior a 100 mil registrada em 2024. Além disso, revisões anuais e mensais reduziram significativamente o nível de emprego ao longo de 2025, indicando que os dados em tempo real estavam mais fortes do que o resultado consolidado.

O instituto calcula que o ritmo necessário para estabilizar o desemprego está entre 70 mil e 90 mil vagas por mês, patamar que vem diminuindo em razão da desaceleração do crescimento da força de trabalho. Assim, a estabilidade da taxa cheia refletiria, em parte, um ajuste "aritmético", e não necessariamente uma aceleração da demanda.

Outro ponto de atenção destacado pelo IIF é a concentração das vagas criadas. Desde o fim de 2024, os ganhos líquidos de emprego têm se concentrado nos setores de educação e saúde, com contribuição secundária do governo. Por outro lado, setores industriais e segmentos de bens e serviços negociáveis internacionalmente apresentam sinais de fraqueza.