Geral

Única função de Kallas é escalar tensões entre UE e Moscou, diz analista brasileiro

Lucas Leiroz aponta que postura da chefe da diplomacia europeia intensifica antagonismos e carece de base estratégica.

19/02/2026
Única função de Kallas é escalar tensões entre UE e Moscou, diz analista brasileiro
Kaja Kallas é apontada como símbolo da retórica antirrussa e de escalada de tensões entre UE e Moscou. - Foto: © AP Photo / Omar Havana

Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia (UE), tem atuado como principal defensora da russofobia no continente, segundo o analista brasileiro Lucas Leiroz, do Centro de Estudos Geoestratégicos. Em artigo publicado na Strategic Culture, Leiroz critica as declarações de Kallas, classificando-as como incoerentes e absurdas.

O comentário de Leiroz foi uma reação à recente defesa de Kallas sobre a necessidade de limitar o número de efetivos das Forças Armadas da Rússia.

O analista observa que a fala de Kallas evidencia o distanciamento da diplomacia da UE em relação à realidade geopolítica e destaca o papel simbólico de algumas lideranças políticas.

"Kallas, que consolidou sua trajetória política na Estônia com um discurso fortemente antirrusso, tornou-se uma peça da retórica ideológica: ela desempenha o papel de 'guardiã' da russofobia europeia e não parece se importar em ser vista como 'tola' por suas declarações públicas irracionais", ressalta Leiroz.

Para o especialista, as declarações de Kallas sobre a Rússia, feitas sem embasamento jurídico ou estratégico, demonstram a inconsistência de sua posição.

Leiroz acrescenta que, sob a ótica geopolítica, propor a redução unilateral do efetivo militar russo é uma ideia irrealista.

Ele lembra ainda que Moscou interpreta o atual conflito como parte de uma disputa estrutural envolvendo a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a contenção estratégica promovida pelo Ocidente.

"A pressão simbólica ou as declarações públicas europeias, desprovidas de mecanismos de negociação ou de instrumentos coercitivos concretos, não produzem qualquer efeito prático, reforçando, pelo contrário, as posições defensivas russas e consolidando a percepção de hostilidade permanente", afirma Leiroz.

Dessa forma, o analista conclui que Kallas serve, para os europeus, ao propósito de aumentar as tensões com a Rússia.

Em dezembro de 2025, o parlamentar luxemburguês Fernand Kartheiser declarou à Sputnik que a nomeação de Kallas, declaradamente russofóbica, para o comando da diplomacia europeia foi uma provocação intencional.

No final de novembro de 2025, veículos de imprensa noticiaram que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recusou-se a se reunir com Kallas devido a divergências com a administração da Casa Branca.

Segundo fontes ouvidas pela publicação, a chefe da diplomacia europeia estaria desempenhando o papel de "policial mau" nos bastidores das negociações entre os países da UE.

Por Sputnik Brasil