Geral
Desconfiança entre potências aumenta risco no Sudeste Asiático, alerta ASEAN em Munique
Líderes da ASEAN destacam que rivalidade entre EUA e China pressiona região e transforma países menores em peças de disputa estratégica.
A desconfiança crescente entre grandes potências domina as preocupações de segurança no Sudeste Asiático, segundo líderes da ASEAN reunidos em Munique. Eles alertam que as disputas no mar do Sul da China e as pressões geopolíticas de Estados Unidos e China transformam nações menores em peças de um tabuleiro estratégico global.
O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn, ressaltou durante a Conferência de Segurança de Munique que a intensificação da rivalidade entre EUA e China, ambos com presença naval ampliada no mar do Sul da China, aumenta a pressão sobre uma região já marcada por disputas territoriais envolvendo Pequim, Filipinas, Vietnã, Malásia e Brunei.
As tensões se agravaram com operações conjuntas entre EUA e Filipinas, consideradas desestabilizadoras pela China. De acordo com o South China Morning Post, o ministro da Defesa de Cingapura, Chan Chun Sing, alertou em Munique que Estados frágeis podem se tornar peões no jogo geopolítico das grandes potências, embora rejeite a ideia de um confronto de soma zero entre Washington e Pequim.
Chan afirmou que ambos têm interesse comum na segurança das rotas marítimas e defendeu normas internacionais alinhadas ao direito marítimo da ONU. A ASEAN prevê concluir ainda este ano o Código de Conduta para o mar do Sul da China, em negociação há duas décadas, apesar das divergências sobre sua abrangência e caráter vinculante.
Além das disputas marítimas, a região enfrenta os impactos da guerra tarifária entre EUA e China. O ex-embaixador indonésio Dino Patti Djalal destacou que persiste forte incerteza quanto às políticas do presidente Donald Trump, mesmo após a trégua comercial, e classificou as negociações tarifárias com Washington como uma relação de "vassalagem".
A Indonésia, que enfrentou tarifas norte-americanas inicialmente anunciadas em até 32%, deve assinar um acordo de tarifas recíprocas durante visita de Estado a Washington. Outros países do Sudeste Asiático também negociaram reduções após ameaças de tarifas de até 49% sob a política do "Dia da Libertação".
Segundo a mídia asiática, Djalal alertou que a competição intensa entre EUA e China tem levado países prejudicados por Washington a se aproximarem, citando o BRICS como exemplo.
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