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China ignora 'receita de sucesso' vendida ao Brasil e prospera, afirma Elias Jabbour

Pesquisador destaca inovações do modelo chinês e aponta lições para o Brasil em novo livro sobre socialismo no poder.

16/02/2026
China ignora 'receita de sucesso' vendida ao Brasil e prospera, afirma Elias Jabbour
Elias Jabbour analisa como o modelo chinês de desenvolvimento contrasta com o caminho seguido pelo Brasil. - Foto: © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Em entrevista à Sputnik Brasil sobre o lançamento de seu novo livro, "Socialismo no Poder: Governança, Classes, Ciência e Projetamento na China", o ex-consultor da presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, Elias Jabbour, analisa os principais pilares do modelo chinês e aponta caminhos que o Brasil pode seguir.

Jabbour ressalta que compreender a experiência chinesa exige uma atualização conceitual profunda, já que o país combinou, de forma inédita, planejamento estatal, mercado e inovação tecnológica, desenvolvendo um arranjo institucional próprio. O planejamento governamental chinês, segundo ele, baseia-se na forte coordenação estatal e no uso intensivo de tecnologia, incluindo soluções de Big Data, inteligência artificial, 5G e computação avançada.

"Isso confere à China uma capacidade de organização muito superior à de 20 anos atrás", afirma. O pesquisador destaca ainda que o país construiu um aparato técnico e humano capaz de antecipar gargalos econômicos e agir antes que eles se tornem crises estruturais.

Essa combinação, segundo Jabbour, permite à China operar em uma escala que desafia a compreensão convencional. "Em 2035, eles devem alcançar o grau de desenvolvimento de uma nação como a Bélgica, por exemplo, com um Estado de bem-estar social adaptado às características chinesas", projeta.

Ao comparar Brasil e China, Jabbour lembra que ambos estavam em patamares econômicos semelhantes nos anos 1980. Na década seguinte, o Brasil seguiu à risca os preceitos do Consenso de Washington, enquanto a China trilhou caminho oposto, mantendo o Estado como protagonista.

"O que posso dizer é o seguinte: a China não adotou a receita para o sucesso vendida ao Brasil e eles se deram muito bem", resume o pesquisador.

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Por Sputnik Brasil