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Do sertão à Sapucaí: Acadêmicos de Niterói abre o Grupo Especial homenageando Lula sob o olhar de Dona Lindu

Escola de samba narra a trajetória do presidente a partir da luta de sua mãe, que fugiu da seca em um pau de arara e superou a fome para criar os filhos

Redação com agências 15/02/2026
Do sertão à Sapucaí: Acadêmicos de Niterói abre o Grupo Especial homenageando Lula sob o olhar de Dona Lindu
Do sertão à Sapucaí: Acadêmicos de Niterói abre o Grupo Especial homenageando Lula sob o olhar de Dona Lindu - Foto: Reprodução

O Carnaval do Rio de Janeiro ganhou um forte contorno político e emocional neste domingo (15). A Acadêmicos de Niterói, responsável por abrir os desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, levou para a avenida o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

A grande sacada do desfile, no entanto, é a perspectiva da narrativa: o samba e a história são contados em primeira pessoa, sob a ótica de Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu, mãe do chefe do Executivo federal.

A Força da Mulher Sertaneja


A trajetória de Dona Lindu foi o fio condutor da apresentação, retratando a dura realidade de milhões de brasileiros. Nascida em 1915, em Caetés (então distrito de Garanhuns, PE), a sertaneja e analfabeta enfrentou provações extremas:

A Seca e a Perda: Teve 12 filhos, dos quais quatro morreram ainda pequenos devido às condições precárias do sertão.

A Fuga em Pau de Arara: Em 1952, embarcou com os filhos (incluindo Lula, então com 7 anos) em uma viagem de 13 dias para o litoral paulista em busca de sobrevivência.

Superação: Em Santos (SP), enfrentou a violência e o alcoolismo do marido. Em 1955, reuniu forças para deixá-lo, mudando-se para a capital paulista, onde lutou contra a fome para garantir a alfabetização das crianças.

Despedida Marcante


Um dos momentos mais tocantes da história levada à Sapucaí relembra a morte de Dona Lindu, em 1980, aos 64 anos, vítima de um câncer uterino. Na época, Lula estava preso no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) por liderar a histórica greve dos metalúrgicos no ABC Paulista. Ele recebeu autorização especial das autoridades da ditadura apenas para comparecer ao velório da mãe.