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Equipe econômica considera fim da escala 6x1 maduro no Congresso, mas alerta para riscos no texto

Proposta de redução da jornada de trabalho avança no Legislativo, mas governo teme insegurança jurídica e aumento de custos.

15/02/2026
Equipe econômica considera fim da escala 6x1 maduro no Congresso, mas alerta para riscos no texto
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Integrantes da equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o fim da escala 6x1 é uma pauta madura para aprovação no Congresso ainda neste primeiro semestre, impulsionada pelo cenário eleitoral. No entanto, a preocupação recai sobre o formato final do texto.

Dependendo da redação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), até mesmo o Executivo pode recuar do apoio, segundo apuração do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A proposta já encontra respaldo entre parlamentares da centro-esquerda e ganha espaço na direita, o que enfraquece o lobby contrário no Legislativo.

Além da pressão do ano eleitoral, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), busca uma pauta positiva para marcar sua gestão.

O argumento do governo se apoia em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que aponta que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais teria impacto semelhante ao de aumentos recorrentes do salário mínimo, e que a maioria das empresas conseguiria absorver a mudança.

Segundo o Ipea, o custo médio do trabalho para um celetista em jornada de 40 horas aumentaria 7,84%.

Na equipe econômica, contudo, há consenso de que será necessário instituir um período de transição para a nova jornada, respeitando impactos diferenciados por setor e porte das empresas. As maiores teriam mais condições de se adaptar.

Para que a aprovação ocorra até o meio do ano, seria preciso um texto consensual. Caso contrário, o tema pode virar promessa de campanha. O principal risco, segundo fontes, é que a PEC acabe repleta de exceções, gerando mais insegurança do que avanços para os trabalhadores. Nesse cenário, até o governo poderia se opor à medida.

O desafio é acomodar todas essas variáveis na Constituição. Para a advogada trabalhista Elisa Alonso, sócia do RCA Advogados, uma PEC para esse tipo de mudança pode gerar insegurança jurídica. "Embora a redução da jornada seja um objetivo social legítimo, a alteração via emenda, sem diferenciação setorial e sem mecanismos de adaptação, tende a gerar insegurança jurídica imediata e aumento relevante de custos no curto prazo", afirma.

Ela ressalta que a redução da jornada pode ser feita por negociação coletiva, setor a setor, sem necessidade de alterar a Constituição. "Uma vez na Constituição, tenho que seguir. Se eu for criar diferenciais ou transições nela, perco a lógica da Constituição, que deve ser uma norma rígida, sem nuances específicas", completa.

Produtividade

Outro ponto levantado no governo é que o setor privado pode estar superestimando os impactos financeiros, quando, na prática, poderia haver ganhos de produtividade.

A Confederação Nacional da Indústria estima impacto de R$ 178 bilhões para o setor, caso a jornada seja reduzida para 36 horas semanais, como prevê a PEC original da deputada Érica Hilton (PSOL-SP).

No agronegócio, entidades do setor apontam risco de redução de 20% a 25% nas vagas se a nova escala for adotada, segundo análise preliminar apresentada à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Governistas também apontam possíveis externalidades positivas, como menor pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O atual nível de desemprego, o menor da série histórica, é visto pelo Executivo como mais um fator favorável à aprovação do projeto.