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Chanceler chinês alerta para risco de ressurgimento militarista no Japão durante conferência em Munique

Wang Yi critica postura japonesa sobre Taiwan e compara abordagem histórica de guerra entre Japão e Alemanha, acirrando tensões regionais.

Sputnik Brasil 15/02/2026
Chanceler chinês alerta para risco de ressurgimento militarista no Japão durante conferência em Munique
Chanceler chinês Wang Yi faz alerta sobre riscos de militarismo japonês durante conferência em Munique. - Foto: © AP Photo / Michael Probst

O chanceler chinês Wang Yi elevou o tom contra o Japão ao acusar o país de adotar posturas "perigosas" em relação a Taiwan, durante a Conferência de Segurança de Munique. Segundo Wang, declarações recentes da liderança japonesa violam a soberania chinesa e sinalizam um possível ressurgimento do militarismo japonês.

Durante a sessão "A China no Mundo", Wang criticou diretamente as falas do governo japonês sobre Taiwan, afirmando que tais posicionamentos desafiam a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial e ameaçam a estabilidade regional.

Ao ser questionado sobre a responsabilidade da China pelas tensões na Ásia-Pacífico, Wang rejeitou a ideia de escalada, argumentando que a região permanece relativamente pacífica. Ele citou conflitos locais, como os entre Camboja e Tailândia, que, segundo ele, foram rapidamente contidos com participação ativa da China, destacando o papel chinês como pilar de estabilidade e força construtiva para a paz.

Apesar disso, Wang alertou para desafios persistentes, apontando especialmente o Japão. Ele criticou a declaração da primeira-ministra japonesa de que uma contingência no estreito de Taiwan representaria uma "situação de ameaça à sobrevivência" para o Japão, justificando uma possível autodefesa coletiva. Para Wang, trata-se da declaração mais grave de um líder japonês em oito décadas, violando compromissos históricos e questionando a soberania chinesa sobre Taiwan.

Especialistas chineses consultados pelo Global Times, como Lu Chao, interpretaram as declarações de Wang como um alerta severo diante do fortalecimento da direita japonesa após as últimas eleições legislativas. Segundo Lu, esse cenário político tem impulsionado o ultranacionalismo, endurecido a postura externa do Japão e gerado contradições entre discursos conciliatórios e ações provocativas.

Wang também comparou a abordagem da Alemanha e do Japão em relação aos seus passados de guerra. Ele elogiou a "liquidação abrangente" do fascismo na Europa e criticou o fato de o Japão ainda reverenciar criminosos de guerra em santuários. Para o chanceler chinês, essa diferença explica a persistência de tendências militaristas no Japão e a ambição histórica de controlar Taiwan, que, segundo ele, persiste.

O ministro advertiu que ignorar as lições da história pode levar o Japão a repetir erros do passado, conclamando o povo japonês a não ser manipulado por forças extremistas. Wang pediu que países comprometidos com a paz enviem um aviso claro ao Japão: qualquer tentativa de retorno ao militarismo resultaria em consequências graves e autodestrutivas.