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Defesa de adolescente aponta soco de ex-piloto Pedro Turra como causa da morte

Advogado da família de Rodrigo Castanheira afirma que impacto do golpe foi determinante e pede investigação sobre uso de objeto durante agressão

12/02/2026
Defesa de adolescente aponta soco de ex-piloto Pedro Turra como causa da morte
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A defesa de Rodrigo Castanheira, adolescente de 16 anos que morreu no último sábado (7) após ser agredido por Pedro Turra, de 19 anos, afirma que o soco desferido pelo ex-piloto foi a principal causa da morte. Segundo o advogado Albert Halex, Rodrigo recebeu uma forte pancada no lado esquerdo da cabeça, enquanto o choque com o carro, onde teria batido a cabeça após as agressões, ocorreu do lado direito. A defesa de Turra, por sua vez, critica o vazamento de informações do caso.

“Se fosse um efeito de bater no carro, a cirurgia teria de ter ocorrido do lado direito”, destacou Halex. Em nota anterior, os advogados de Turra haviam lamentado a morte de Rodrigo.

Halex informou que a família de Rodrigo teve acesso ao prontuário médico, cujos dados preliminares indicam ausência de relação entre a causa do falecimento e o veículo citado. “Ressaltamos que todos os traumas e cirurgias foram realizados no lado esquerdo do crânio de Rodrigo, local do soco, enquanto o golpe desferido pelo agressor apresentou impacto de altíssima intensidade, com força considerada descomunal”, explicou ao Estadão.

O advogado acrescentou que a configuração do caso sugere a necessidade de análise de outras possibilidades. “A equipe segue investigando todos os aspectos do caso, com compromisso de prestar atualizações assim que novas evidências forem apuradas”, concluiu.

A defesa do adolescente solicita investigação sobre a possibilidade de o agressor ter utilizado um soco inglês durante o ataque, pois considera improvável que apenas o golpe com a mão tenha deixado Rodrigo em coma. O curto espaço entre a mão do agressor e a cabeça da vítima poderia causar desequilíbrio, mas não fratura. Caso o golpe tenha sido direto entre a mão e a face, o punho direito de Turra também deveria apresentar sinais de lesão, a não ser que estivesse protegido por um objeto.

Conforme Halex, Rodrigo aguardava um carro de aplicativo para sair de uma festa de aniversário, que terminou na madrugada de 24 de janeiro, quando foi surpreendido por um cuspe de Turra. O agressor, acompanhado de mais quatro pessoas, teria desferido diversos golpes contra Rodrigo, até que a vítima bateu em um veículo e caiu no chão. Rodrigo ficou em coma após as agressões e morreu cerca de duas semanas depois.

As informações sobre o ocorrido foram coletadas por Halex a partir de depoimentos de testemunhas à Polícia. O advogado de Pedro Turra manifestou “profunda preocupação e repúdio” quanto ao vazamento de depoimentos produzidos em sede policial e inseridos em autos sob sigilo.

“Trata-se de material que sequer havia sido disponibilizado à própria Defesa técnica, o que evidencia grave ruptura do dever legal de custódia da prova. O segredo de justiça é integral e não comporta divulgação seletiva”, afirmou em nota.

Em seguida, informou que as medidas judiciais cabíveis já foram adotadas, com requerimento de apuração rigorosa dos responsáveis pelo vazamento.

O Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas, confirmou a morte de Castanheira. “Apesar de todos os esforços da equipe médica, o quadro evoluiu para a perda completa e irreversível das funções cerebrais, seguindo todos os protocolos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina”, informou o hospital em nota. Turra está preso desde 30 de janeiro.

Segundo a defesa, Turra teria sido convidado para a festa por outro piloto que tinha desentendimentos com Castanheira, motivados por ciúmes envolvendo uma ex-namorada, que também estava presente no evento. “O Rodrigo era uma pessoa muito carismática, todo mundo gostava dele. Então esse colega achava que o Rodrigo tinha alguma coisa com a ex-namorada dele”, explicou a defesa.