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Concurso de canto em presídio carioca dá saída criativa para mulheres atrás das grades

Por ELÉONORE HUGHES Associated Press 23/01/2026
Concurso de canto em presídio carioca dá saída criativa para mulheres atrás das grades
Os detentos desejam boa sorte uns aos outros antes de competir no concurso de canto do programa de reabilitação Voz da Liberdade na penitenciária feminina Djanira Dolores de Oliveira, no Rio de janeiro, sexta-feira, 23 de janeiro de 2026. - Foto: AP Foto/Silvia Izquierdo

RIO DE JANEIRO (AP) — Um grupo de brasileiras atrás das grades se maquiou, vestiu batas e competiu em um concurso de canto realizado na sexta-feira em um Rio de janeiro prisão, durante um evento destinado a destacar talentos e aumentar a confiança antes da libertação dos detidos’.

Dentro de um vasto e ecoante salão multiuso, os quinze candidatos se revezavam para cantar pra valer em um palco de temática roxa diante de uma plateia formada por agentes penitenciários, voluntários e companheiros detidos, que batiam palmas e cantavam junto com eles.

Muitos interpretaram músicas gospel, enquanto outros ofereceram interpretações da MPB, sigla de Brasileiro música popular em português — incluindo “Black Sheep” da tão amada e saudosa cantora Rita Lee.O.

Uma banca de jurados composta pelo ator e apresentador de TV David Brazil e pelo cantor Maurício Mattar, entre outros, assistiu atentamente, atribuindo partituras para voz, performance, apresentação e charme.

Fernanda Fernandes Domingues, de 36 anos, ganhou o primeiro prêmio. “Nem sei o que dizer, estou muito feliz mesmo!” ela disse. “A música é uma maneira de me capacitar neste momento triste, porque estar na prisão é triste.”

Meses antes do grande dia, os candidatos de quatro centros de detenção fizeram testes, ensaiaram e realizaram testes de maquiagem, figurino e cabelo, adicionando variedade e estímulo a uma rotina repetitiva de prisão.

No dia da competição, conhecida como “Voz da Liberdade,”, as mulheres se prepararam em uma sala completa com espelhos e uma tela de curativo vocalizando e sacudindo os braços para liberar energia nervosa.

Rilary Cristina Leite, 31, costumava cantar em bares, festas e na igreja antes de ser presa há seis anos. Ela deve deixar a prisão em menos de um ano e disse que o programa foi uma oportunidade para ajudá-la no caminho da reabilitação, mostrando suas habilidades.

“É mágico porque estamos fazendo o que queremos. Significa libertação para nós. Estamos presos e a arte nos liberta,” disse Leite, acrescentando que seu sonho é cantar no Festival Rock in Rio.O.

O concurso deste ano, com o tema “esperança e emancipação,” foi o terceiro organizado pela autoridade estadual de administração de presídios do Rio de janeiro.

Maria Rosa Lo Duca Nebel, secretária estadual de administração penitenciária do Rio, disse que o objetivo da prisão também é reabilitar através do trabalho, estudos, leitura e — como na sexta-feira — através da cultura.

Também ajuda na atmosfera dentro das instalações, disse ela.

“Isso ajuda a acalmar as coisas, no sentido de que alivia a tensão, porque o sistema prisional —, embora esta seja uma unidade feminina —, é um ambiente tenso por natureza. O que proporcionamos aqui, com a presença de todos, cria essa sensação de alívio,”, disse ela.

Cassiane Victoria Moura Martins ganhou o show do ano passado. Ela canta desde os três anos e costumava se apresentar em rádios e outros espaços públicos.

Ela parou após ser encarcerada por envolvimento com o narcotráfico‚mas pegou novamente graças ao concurso e aspira cantar profissionalmente. Ela planeja fazer vídeos para o TikTok assim que sair da instalação.

“Quando canto, sinto-me em paz. É meio que um remédio calmante. Eu preciso dele. Então EU canto, e tudo está OK.”