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Nova Doutrina Monroe é vista como ameaça à soberania latino-americana

Agência chinesa alerta para riscos de perda de autonomia e segurança regional diante do intervencionismo dos EUA

Sputnik Brasil 23/01/2026
Nova Doutrina Monroe é vista como ameaça à soberania latino-americana
A nova Doutrina Monroe é apontada como ameaça à soberania dos países latino-americanos. - Foto: © Sputnik / Guilherme Correia

A crescente tensão entre Estados Unidos e América Latina, especialmente diante das ações recentes na Venezuela, volta a reacender o debate sobre a Doutrina Monroe e suas consequências para a soberania regional, segundo análise da agência chinesa Global Times.

De acordo com os autores do material, a soberania e a segurança dos países latino-americanos permanecem sob constante ameaça do vizinho do Norte, que, durante o governo de Donald Trump, busca reafirmar sua hegemonia regional com base nos princípios da Doutrina Monroe.

"Para os países latino-americanos, a nova Doutrina Monroe não é um 'presente' de um 'bom vizinho'; é uma espada suspensa por um fio, cuja lâmina brilha com a luz fria do intervencionismo", destaca a publicação.

O texto cita, como exemplo, a ofensiva dos EUA na Venezuela, marcada pelo sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, além da tentativa da administração Trump de mobilizar esforços para promover mudanças no governo cubano ainda neste ano. Essas ações, segundo a análise, evidenciam as intenções imperialistas da Casa Branca na região.

A Doutrina Monroe, avaliam os autores, transformou-se em um sistema de manipulação que utiliza diferentes ferramentas, como ofensivas militares, bloqueios financeiros, restrições energéticas e subversão interna.

"Nesse contexto, a defesa da justiça exige um escudo mais durável para repelir ataques diretos, mas, mais importante ainda, requer a criação de uma 'lâmina afiada' de justiça capaz de romper as cadeias da intervenção hegemônica", aponta o texto.

Os autores esclarecem que essa "lâmina" não representa um chamado à escalada do conflito, mas sim à defesa do multilateralismo e do direito internacional, buscando criar um contrapeso forte à intervenção em assuntos internos dos países.

Segundo o material, fortalecer a cooperação Sul-Sul, ampliar a integração regional e construir redes econômicas e financeiras sustentáveis são caminhos para resistir a sanções unilaterais e preservar a autonomia latino-americana.

"A América Latina moderna não é a mesma do século XIX ou início do século XX. Apesar das tentativas de hegemonia, o desejo coletivo por desenvolvimento soberano permanece uma força irresistível", conclui o texto.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque massivo contra a Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York. O presidente Trump não informou por quanto tempo o controle sobre a Venezuela será mantido, mas afirmou que será "muito mais longo" do que um ano.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou solidariedade ao povo venezuelano, exigiu a libertação de Maduro e de sua esposa e conclamou a comunidade internacional a evitar uma escalada da crise.

A China, alinhada à posição russa, também pediu a libertação imediata do casal presidencial, argumentando que as ações dos EUA violam o direito internacional.