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Mais de 30 estudantes do O Mil é Nosso tiram notas acima de 900 na redação

Projeto de extensão vinculado à Ufal aposta em metodologia inclusiva para ampliar o acesso de estudantes à universidade

Por Ryan Charles - estudante de jornalismo 23/01/2026
Mais de 30 estudantes do O Mil é Nosso tiram notas acima de 900 na redação

Quem já foi vestibulando e prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sabe que a redação pode ser um grande desafio. Além de representar 20% da nota final, ela é um dos principais diferenciais para o desempenho dos estudantes. É pensando nisso que o projeto O Mil é Nosso vem ajudando alunos de todo o estado e, na edição de 2025 do exame, já contabiliza 32 estudantes com notas acima de 900 pontos na redação, até o momento.

O projeto, que existe desde 2018, atualmente é vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc), e conta com o apoio do deputado federal Rafael Brito. Com aulas remotas e ações pedagógicas ao longo do ano, a iniciativa tem como objetivo possibilitar o acesso à universidade para estudantes que não têm condições de arcar com cursos preparatórios particulares.

“Eu fico sem acreditar quando vejo que determinados cursos só têm filhos de pessoas ricas, como se aquele espaço fosse limitado. Não existe lugar determinado para ninguém. O lugar de cada um é onde os sonhos conseguem chegar. É essa a minha mentalidade”, afirmou a coordenadora do projeto, Lívia Soares, técnica em Assuntos Educacionais da Ufal e professora de redação há 25 anos.

Segundo Lívia, diante de tantos desafios, alcançar boas notas acaba sendo a parte mais tranquila do processo, graças à metodologia aplicada. “Trabalhamos com uma metodologia diferenciada, que permite nivelar os alunos, independentemente do conhecimento prévio em redação. Isso é possível porque utilizamos projetos de textos estruturados, que dão segurança para que eles consigam escrever sobre qualquer tema”, explicou.

Nesta edição, a estudante Giovana Gabrielly da Silva alcançou 980 pontos na redação, o chamado “mil técnico”, quando um corretor atribui nota 1000 e o outro 960. Este é o 13º caso de alunos do projeto que atingem essa média expressiva. Para a coordenadora, os resultados reforçam a qualidade do trabalho desenvolvido e podem contribuir para ampliar o reconhecimento institucional da iniciativa.

“É uma sensação dupla: de gratidão e de confirmação de que a metodologia está no caminho certo, mas também de frustração. Hoje, o projeto não conta com apoio de outras instituições estaduais. Infelizmente, a única instituição que realmente acredita na gente é a Ufal, além do apoio do deputado. A admiração do reitor Tonholo pelo projeto foi fundamental para que eu tivesse abertura para dialogar, apresentar resultados e fortalecer essa parceria”, destacou.

Mesmo diante de dificuldades relacionadas ao financiamento, à burocracia e à manutenção do projeto, a coordenadora afirma que nunca pensou em desistir. “É o que me enche os olhos e o que eu sei fazer bem-feito. É a forma que encontrei de ajudar as pessoas a não se limitarem. É a minha maneira de ir contra o sistema. Eu não me conformo com a ideia de que existem espaços onde o pobre não pode chegar. Sou apaixonada pela Ufal, sou servidora há 15 anos, e é um prazer enorme ajudar esses estudantes a entrarem na universidade”, disse, emocionada.

Para quem tem interesse em participar do projeto, as inscrições estarão abertas a partir de março de 2026. As datas e demais informações podem ser acompanhadas pelo Instagram do projeto, @omilenosso.