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Interesse dos EUA na Groenlândia é gesto de prestígio simbólico, diz especialista
Proposta de aquisição do território não altera papel global dos EUA, mas reforça tradição expansionista e busca prestígio nacional, segundo pesquisador.
A possível aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos reacende discussões sobre expansão territorial, prestígio geopolítico e competição no Ártico, segundo o pesquisador Dr. George Szamuely, que afirmou à Sputnik que a proposta "se encaixa na tradição clássica de expansão norte-americana", mas não configura um novo imperialismo.
A ideia de que Washington poderia tentar adquirir a Groenlândia não é apenas um exercício hipotético. Para o Dr. George Szamuely, pesquisador sênior do Global Policy Institute, o movimento dialoga diretamente com a história de expansão territorial dos EUA. Ele afirma que a proposta "pode certamente ser vista como uma continuação da tradição clássica de expansão territorial dos Estados Unidos", comparando-a à compra da Louisiana, à aquisição do Alasca e à incorporação do Havaí.
Segundo Szamuely, porém, o termo "neoimperialismo" não descreve adequadamente o fenômeno. "Eu não a descreveria necessariamente como neoimperialismo, já que esse termo sugere a criação de um império", explica o especialista. Para ele, a intenção norte-americana seria integrar a Groenlândia como território ou estado, e não administrá-la como domínio colonial.
Impacto geopolítico seria limitado
Mesmo que a aquisição tornasse os Estados Unidos o segundo maior país do mundo em área, Szamuely argumenta que o impacto geopolítico seria limitado. "Isso não alteraria fundamentalmente seu papel no sistema global", afirma, lembrando que os EUA ainda são a principal potência econômica, militar e financeira. Além disso, grande parte da Groenlândia é inabitável, o que reduziria seu peso demográfico.
Presença militar e recursos naturais
O valor estratégico do território, segundo o pesquisador, estaria concentrado em dois pontos: presença militar e exploração de recursos naturais. Ele destaca que, embora a posse direta facilitasse a atuação norte-americana no Ártico, "os Estados Unidos já são uma grande potência ártica", especialmente diante do derretimento do gelo e da crescente disputa por matérias-primas.
Szamuely lembra ainda que Washington já possui instrumentos para operar no território. "Pelo tratado de 1951 com a Dinamarca, os EUA já podem expandir sua presença militar e buscar a extração de recursos", afirma. Por isso, a aquisição não mudaria substancialmente a capacidade estratégica norte-americana, mas sim reforçaria uma visão simbólica de grandeza nacional.
Tensões com Rússia e China
A possibilidade de compra, no entanto, poderia intensificar tensões com Rússia e China. "Tal movimento certamente poderia desencadear uma reavaliação das esferas de influência", diz o pesquisador. Ainda assim, ele ressalta que a competição no Ártico já é intensa e não depende da posse formal da Groenlândia.
Prestígio simbólico
No fim, Szamuely interpreta a proposta mais como gesto político do que como necessidade estratégica. "A situação reflete um desejo por prestígio nacional simbólico, e não uma necessidade para manter a influência norte-americana no Norte", conclui.
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