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Banco Master: ações de Toffoli são consideradas 'atípicas' e 'afronta às prerrogativas' da PF por delegados

Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal critica decisões do ministro do STF em investigação sobre fraudes no Banco Master.

17/01/2026
Banco Master: ações de Toffoli são consideradas 'atípicas' e 'afronta às prerrogativas' da PF por delegados
Delegados da PF criticam decisões do STF sobre investigação de fraudes no Banco Master. - Foto: © Agência Brasil / Fabio Rodrigues Pozzebom

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou neste sábado (17) as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, relacionadas ao inquérito sobre fraudes financeiras no Banco Master. Segundo a entidade, as medidas são 'atípicas' e preocupantes, além de representarem uma 'afronta às prerrogativas legalmente conferidas aos delegados' da Polícia Federal.

Em nota, sem mencionar diretamente o ministro, a ADPF afirmou que os delegados enfrentam um 'cenário de caráter manifestamente atípico' e que suas prerrogativas vêm sendo 'indevidamente mitigadas'.

O texto ressalta que cabe ao STF exercer a jurisdição constitucional e, aos delegados da PF, a condução da investigação criminal, criticando as recentes decisões judiciais de Toffoli.

"Há notícias de que decisões judiciais vêm determinando a realização de acareações, prazos exíguos para buscas e apreensões, bem como para inquirições, à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial".

Nesta semana, Toffoli reduziu de cinco para dois dias o prazo para a PF ouvir os investigados no caso, além de determinar que as oitivas fossem realizadas no prédio do STF, procedimento considerado incomum.

O ministro também determinou que as provas obtidas na Operação Compliance Zero fossem enviadas para as dependências do Supremo. Após repercussão negativa, Toffoli revisou a decisão e atribuiu à Procuradoria-Geral da República a responsabilidade pela primeira análise do material, em conjunto com peritos da PF.

"Tal cenário, de caráter manifestamente atípico, além de causar legítima perplexidade institucional, implica afronta às prerrogativas legalmente conferidas aos Delegados de Polícia Federal para a condução técnica, imparcial e eficiente da investigação criminal, comprometendo, inclusive, a adequada e completa elucidação dos fatos em apuração", diz a nota.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso do Banco Master como "a maior fraude bancária do país" e pediu cautela na apuração do esquema.

Em conversa com jornalistas, Haddad destacou a necessidade de garantir o direito de defesa aos acusados diante das apurações da Polícia Federal, ressaltando também a importância de agir com rigor.

Haddad informou que mantém contato diário com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que determinou a liquidação do Banco Master após investigações apontarem fraudes na venda de carteiras de crédito da instituição para o Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões.

Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, sob acusação de emissão de títulos de crédito falsos.

As investigações da PF começaram em 2024, a partir de solicitação do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira, vendidas a outro banco e, "após fiscalização do Banco Central, substituídas por outros ativos sem avaliação técnica adequada", segundo a PF.

A 10ª Vara Federal de Brasília determinou o bloqueio e a arrecadação de bens do BRB, do Banco Master e de diversos executivos investigados na Operação Compliance Zero.

Por Sputnik Brasil