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Covid: medidas de distanciamento social reduzem gravidade de sintomas, diz estudo
A adoção de medidas como distanciamento social, uso de máscaras e lavagem frequente das mãos reduzem não apenas o número de pessoas infectadas pela covid-19, como também a gravidade dos sintomas daqueles que adoecem. Estudo da Universidade de Zurique (Suíça) com mais de 500 soldados acompanhou a disseminação da doença em uma base militar.
Como já se suspeitava, parece haver uma relação direta entre a quantidade de partículas virais às quais a pessoa é exposta e a intensidade dos sintomas que ela desenvolve. Quanto mais vírus, maior a chance de adoecer gravemente. Isso pode explicar, por exemplo, a tendência de profissionais de saúde que estão lidando diretamente com doentes apresentarem formas mais graves da infecção do que outras categorias de trabalhadores.
O novo estudo, de cientistas da Universidade de Zurique, foi publicado na “Clinical Infectious Diseases”, da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas. Segundo o estudo, a adoção das medidas de prevenção reduz a carga viral no ambiente e altera a rota de transmissão da infecção de uma transmissão direta – de uma pessoa para a outra por meio de gotículas contaminadas – para uma transmissão indireta, que ocorre por meio de superfícies contaminadas.
Os cientistas acompanharam um surto de covid-19 em uma base do Exército da Suíça, em Airolo. Três companhias estavam lotadas na base, num total de 508 soldados. Os militares das companhias 2 e 3 dividiram as mesmas barracas e tiveram contato próximo em áreas comuns e na cozinha. Já os da companhia 1 ficaram isolados a uma distância de três quilômetros e adotaram medidas de prevenção. As idades dos soldados variavam entre 18 e 28 anos.
Depois que o primeiro caso de covid-19 surgiu na companhia 3, a doença rapidamente se alastrou naquele grupo e no da companhia 2. Dos 354 soldados, 30% apresentaram sintomas da doença. Em contrapartida, dos 154 militares da companhia 1 nenhum apresentou sintomas, embora tenha havido detecção do vírus em material sorológico.
“Essa descoberta sugere que a redução da carga viral pode não apenas levar a uma probabilidade reduzida de infecção, mas também pode causar uma infecção assintomática, além de poder induzir a uma resposta imunológica em uma parte dos infectados”, escreverem os autores.
Os cientistas alertaram, no entanto, que o estudo foi feito com jovens saudáveis e, por isso, seus resultados não podem ser extrapolados para grupos mais vulneráveis – como os de pessoas idosas ou daquelas com comorbidades.
Autor: Roberta Jansen
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