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Temor com efeito de crise política e piora externa prejudicam Ibovespa
Se já não bastasse o ambiente doméstico desfavorável por preocupações no âmbito político, o cenário externo ruim deve conduzir o Ibovespa a mais uma dia de perdas, dando sequência ao recuo da véspera, de 1,34%, aos 96.729,08 pontos. Na abertura desta sexta-feira, 22, o principal índice da B3 já perdia os 95 mil pontos e, logo depois, cedeu para a marca dos 94 mil pontos.
Às 10h24, o Ibovespa caia 1,89%, aos 94.900, 44 pontos.
Dentre as cerca de 60 ações componentes do índice, apenas Vale ON (0,65%) e Suzano Papel ON (2,59%) subiam.
“Tudo indica o dia será negativo. O externo está caindo bem. Acredito que hoje será difícil não fazer essa correlação, de o mercado doméstico não acompanhar o internacional”, afirma o analista-chefe da Necton Investimentos, Glauco Legat, lembrando ainda das questões domésticas como fator a empurrar o Ibovespa para baixo.
A crise política instalada após as prisões do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, e que coloca dúvidas quanto ao avanço da tramitação da proposta de reforma da Previdência, deve azedar os negócios por aqui. Além disso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ameaça deixar a articulação política da reforma previdenciária.
Diante do noticiário atual, Legat considera não haver clima para que se avance neste momento nas negociações sobre a reforma previdenciária. “O movimento de ontem mostra que existe um guerra de conflito entre as duas partes Legislativo e Judiciário. Está faltando clima”, afirma, ponderando contudo que ainda acredita na possibilidade de aprovação da reforma da Previdência.
Para completar, acrescenta Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM, o presidente da Comissão de Cidadania, Constituição e Justiça (CCJ), Felipe Francischini (PSL-PR) ainda não indicou quem será o relator da reforma, alegando falta de clima. “O grande problema é que ninguém parece disposto a assumir essa responsabilidade”, afirma.
Como ressalta a MCM Consultores em nova, avaliações mais aprofundadas sobre os efeitos políticos das prisões são prematuras. No entanto, avalia que há elementos que sugerem que o evento tende a ampliar a confusão na arena política e, consequentemente, o grau de incerteza.
E essa desconfiança tende a atrapalhar ainda mais neste momento de atividade enfraquecida no Brasil, cujas expectativas para o crescimento estão sendo cada vez mais reduzidas. Aliás, este tema de expansão econômica volta a ganhar destaque no exterior.
Após a Alemanha informar que um índice de atividade do setor industrial e de serviços caiu ao menor nível em 69 meses, reavivou preocupações com a saúde da economia global. O resultado levou o juro do Bund alemão de 10 anos a ficar negativo hoje pela primeira vez desde outubro de 2016.
As bolsas na Europa e os índices futuros em Nova York cedem a queda das commodities, em especial do petróleo. Diante dessa aversão ao risco, investidores procuram por ativos considerados de maior confiança como o dólar, fazendo com que a moeda se fortaleça. “O externo está ruim, o petróleo cai fortemente. Não tem como o Ibovespa escapar”, reforça Monteiro Renascença DTVM.
Autor: Maria Regina Silva
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