Finanças

Golpistas pagam para alugar contas bancárias de terceiros e esconder o caminho do dinheiro de fraudes, alerta Itaú

Veja como identificar a abordagem e usar serviços gratuitos do Banco Central para se proteger

Agência O Globo - 20/10/2026
Golpistas pagam para alugar contas bancárias de terceiros e esconder o caminho do dinheiro de fraudes, alerta Itaú
Golpistas pagam para alugar contas bancárias de terceiros e esconder o caminho do dinheiro de fraudes, alerta Itaú - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Itaú Unibanco alerta que anúncios nas redes sociais oferecendo dinheiro para quem deixar terceiros usarem sua conta bancária podem esconder um esquema de golpe financeiro. A oferta de renda fácil costuma servir para recrutar “laranjas”, segundo o banco. Quem aceita essas propostas, portanto, se expõe a ser responsabilizado judicialmente.

Alerta:

Nas redes sociais:

De acordo com a instituição financeira, os criminosos usam essas contas de “passagem” para fazer circular o valor tirado de vítimas de golpes. A quantia pula de uma conta para outra antes de chegar ao destino final. Cada transferência torna mais difícil o rastreamento e a recuperação do dinheiro roubado.

O esquema cresce em meio à explosão dos crimes patrimoniais digitais. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública contabilizou 2.261.055 ocorrências de estelionato dentro e fora da internet em 2025. Esse número representa um aumento de 429,8% em sete anos. Pelas estimativas do levantamento, 15,8% dos brasileiros com mais de 16 anos, cerca de 26,3 milhões de pessoas, foram vítimas de algum golpe financeiro no período analisado.

— Quando alguém disponibiliza a própria conta em troca de remuneração, permite que ela seja utilizada para movimentar dinheiro obtido por meio de golpes e fraudes e se expõe a consequências financeiras e legais. Também é importante proteger os dados pessoais e a biometria para evitar que criminosos tentem abrir contas sem o conhecimento da vítima — afirma Ana Leda Guedes Tavares, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco.

A punição, segundo o banco, varia conforme as circunstâncias e o grau de envolvimento de quem cede ou aluga a conta e os acessos bancários.

Conta aberta sem o titular saber

Nem sempre, porém, o “laranja” sabe que faz parte da fraude. De acordo com o Itaú, documentos, dados pessoais e registros biométricos obtidos em abordagens enganosas podem ser usados para tentar abrir contas em nome de quem não fez essa solicitação.

A vítima, nesse caso, pode enfrentar transtornos financeiros e ter de provar que não fez as movimentações ligadas ao golpe. O banco recomenda que os cidadãos desconfiem de pedidos inesperados de foto, vídeo ou confirmação de identidade, mesmo quando apresentados como atualização cadastral ou liberação de benefício.

Sinais de que a conta pode ser usada em golpe

Segundo o Itaú, o cidadão deve desconfiar nas seguintes situações:

• Promessa de dinheiro rápido ou pagamento percentual para emprestar, vender ou alugar uma conta, receber valores e repassá-los a terceiros;

• Pedidos de cartão, senha, token ou acesso ao aplicativo, além de mensagens em busca de quem aceite fazer transferências em nome de outros;

• Solicitações para movimentar recursos de origem ou finalidade pouco clara;

• Pedidos para tirar fotos, gravar vídeos ou fazer reconhecimento facial, sobretudo após contatos inesperados, abordagens na rua ou links recebidos por mensagem;

• Exigência de documentos e dados pessoais em sites, aplicativos ou canais de autenticidade duvidosa.

Diante de um contato suspeito, a orientação é encerrar a conversa e procurar diretamente os canais oficiais da instituição citada.

— Quanto mais barreiras houver nesse caminho, menor será a capacidade dos criminosos de movimentar o dinheiro — diz Ana Leda.

Como travar a abertura de contas no seu CPF

Outra proteção é o BC Protege+, serviço gratuito do Banco Central que permite informar ao sistema financeiro que o titular de um CPF ou CNPJ não quer abrir novas contas nem ser incluído como titular ou representante em contas de terceiros.

Com o bloqueio ativo, as instituições financeiras ficam impedidas de fazer essas operações até que o próprio usuário o retire. A ativação e a desativação são feitas na área logada do Meu BC, com conta Gov.br nível prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada.

Veja como pedir o dinheiro de volta

Quem transferiu dinheiro por Pix a golpistas pode recorrer ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para facilitar o ressarcimento em casos de fraude. O pedido deve ser registrado na própria instituição financeira em até 80 dias da data da transação, com todas as informações disponíveis sobre o crime.

Se o caso se enquadrar nos requisitos, o banco da vítima aciona o MED. O Banco Central, por sua vez, mapeia as contas para onde o fraudador pode ter repassado os valores e notifica a instituição do recebedor e as dos demais suspeitos de participar do desvio. Esses bancos bloqueiam o saldo disponível dos clientes, até o limite da transação contestada, e têm até sete dias para analisar as notificações.

Se a fraude não for confirmada, os recursos são liberados. Caso contrário, e se ainda houver saldo nas contas dos envolvidos, a vítima recebe o valor de volta, de forma integral ou parcial. O andamento pode ser acompanhado no aplicativo do banco.

É aí que o “aluguel” da conta se torna um problema. Todos os recebedores com notificação confirmada ganham uma marcação de fraude e ficam impedidos de fazer e receber Pix naquela instituição, com exceção de transações de devolução.

O MED não vale, porém, para desacordos comerciais, como uma compra que não correspondeu à expectativa, para recursos enviados à conta de um terceiro de boa-fé nem para erros do próprio pagador, como um Pix mandado à pessoa errada.