Finanças
Alckmin defende ajuste fiscal e cita supersalários, fundo eleitoral e emendas
O vice-presidente também questionou a disposição de Flávio Bolsonaro para promover mudanças diante do apoio recebido de partidos do Centrão
O vice-presidente Gerald Alckmin (PSB) defendeu a necessidade de um ajuste nas contas públicas, mas afirmou que as medidas devem atingir despesas como supersalários, fundos partidário e eleitoral e as emendas parlamentares. Ele também defendeu mudanças no Judiciário e no sistema político e questionou a disposição da oposição para alterar mecanismos de financiamento dos partidos e do Congresso.
— Acho que o ajuste fiscal precisa ser feito. Defendo o ajuste fiscal, fiz quando governador de São Paulo. Agora, é preciso fazer o ajuste fiscal com justiça tributária — afirmou em entrevista à TMC.
O vice-presidente argumentou que a redução de gastos deve ser acompanhada de medidas que tornem a distribuição dos recursos públicos mais equilibrada. Ao citar os chamados supersalários, que são remunerações no serviço público acima do teto constitucional, Alckmin apontou ainda os recursos destinados às campanhas eleitorais e as verbas controladas por parlamentares como áreas que deveriam passar por mudanças.
— Temos que fazer ajuste em cima dos supersalários, do fundo eleitoral, das emendas. Eu defendo mudança, mas não pode ser para pior — disse.
Alckmin também defendeu uma reforma do Judiciário, com a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros tribunais, além da adoção de um código de ética. Segundo ele, as mudanças seriam importantes para aumentar a segurança jurídica, acelerar a tramitação dos processos e estimular investimentos no país.
— Precisamos ter outras reformas, reforma do Judiciário para ter segurança jurídica, isso ajuda também a trazer investimento. Tem que ter mandato para ministro do Supremo e outros tribunais. Tem que ter código de ética. Tem que ter celeridade na Justiça — afirmou.
Outra mudança defendida por Alckmin é uma reforma política para reduzir o número de partidos e fortalecer legendas com propostas mais definidas.
Ao abordar a possibilidade de aprovação dessas mudanças, Alckmin criticou a aliança do adversário, Flávio Bolsonaro, com partidos do Centrão e colocou em dúvida a disposição desse grupo para rever recursos destinados ao Congresso e às legendas.
— Aliás, acho difícil que o nosso adversário, com todo apoio do Centrão, vá mexer em emenda e mexer em fundo partidário e eleitoral. Acho que nós temos mais condições de fazer essas mudanças que a sociedade precisa. Reduzir Custo Brasil e desburocratizar — declarou.
A defesa dessas reformas já havia sido feita por Alckmin na quinta-feira, quando o vice-presidente criticou a proposta de Flávio de alterar a Constituição e defendeu mudanças para combater supersalários e privilégios no serviço público.
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