Finanças

Governo Lula e Trump tiveram mais de 30 reuniões antes de tarifaço

Negociações, porém, não avançaram e taxa de 25% foi confirmada

Agência O Globo - 16/07/2026

O governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões com autoridades americanas desde o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa punitiva de 50% sobre os produtos brasileiros em 9 de julho de 2025.

Foram contatos presenciais, videoconferências e conversas por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Só com o representante comercial americano, Jamieson Greer, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, foram 11, segundo levantamento do Itamaraty.

Porém, os Estados Unidos confirmaram a taxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros e reclamaram das negociações.

Nesse período de pouco mais de um ano, autoridades e delegações técnicas brasileiras tentaram atuar para reverter ou atenuar as decisões tomadas pelo governo dos Estados Unidos de forma unilateral.

A orientação foi usar os canais diplomáticos e focar as discussões na relação comercial entre os dois países, tentando evitar brechas para não deixar as discussões serem contaminadas pela política.

As últimas rodadas de negociações foram conduzidas pelo ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic), Márcio Elias, e de Relações Exteriores, Mauro Vieira, sob a coordenação do Palácio do Planalto.

O último contato foi realizado na terça-feira em uma reunião remota com Greer, coordenada por Elias e os embaixadores Audo Faleiro e Maurício Lyro, no Mdic. Após o encontro, o governo divulgou uma nota reiterando que "qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho" para a construção de um acordo bilateral "mutuamente adequado".

Segundo interlocutores, não houve avanços e as autoridades envolvidas ficaram com o sentimento de que o tarifaço será mantido, pelo menos, com base na conversa com Greer.