Finanças

Retaliação, negociações e exceções: como o Brasil pode reagir a novo tarifaço de Trump

Estados Unidos decidiram nesta quarta-feira aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Agência O Globo - 16/07/2026

Com a confirmação, pelos Estados Unidos, de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para aquele país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai mapear uma estratégia de reação.

Efeito do tarifaço:

Em reunião com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na última sexta-feira, Lula avaliou o cenário e considerou que o caminho mais provável é de que haja a retaliação.

O governo também espera que os Estados Unidos ampliem os itens que serão tarifados antes do comunicado oficial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA podem ser afetados.

Para frear nova taxação:

No entanto, o governo brasileiro ainda aguarda uma lista oficial. A partir disso, será possível negociar que produtos estratégicos para a pauta exportadora brasileira sejam inseridos em uma lista de exceções da taxação, que já conta com 73 produtos.

Entre os itens isentos estão café e carnes, que foram inicialmente taxados no ano passado.

Por que o Brasil incomoda tanto os EUA:

Outro caminho também pode ser novas reuniões com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Essa foi a postura adotada pelo governo nas outras ocasiões em que Trump impôs tarifas sobre os produtos brasileiros no ano passado.

A retaliação é uma opção avaliada pelo governo desde o anúncio das novas tarifas em junho. Como resposta a atitude de Trump.

Além disso, o governo brasileiro também tem à disposição a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Sancionada no ano passado, a Lei da Reciprocidade permite ao Brasil responder a medidas unilaterais de outros países que prejudiquem sua competitividade internacional. Entre as possíveis contramedidas estão a imposição de tarifas sobre importações, suspensão de concessões comerciais e investimentos, e restrições relacionadas à propriedade intelectual.