Finanças

Reuniões com autoridades e audiências: relembre tentativas frustradas do governo Lula de evitar novo tarifaço

Estados Unidos decidiram aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

Agência O Globo - 16/07/2026

O governo brasileiro enfrenta a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos destinados ao país. A medida foi anunciada após diversas tentativas de negociação entre as gestões Lula e americana, que não resultaram em acordo até o momento.

Efeito do tarifaço:

As negociações entre os dois países ocorrem desde junho, quando a medida foi sugerida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país. O USTR abriu uma investigação em julho de 2025, por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump.

A conclusão da investigação foi divulgada no início de junho, semanas após uma reunião de cerca de três horas entre Lula e Trump, em 7 de maio, na Casa Branca, em Washington. Na ocasião, o presidente americano elogiou Lula, afirmando que a reunião havia sido “muito boa”.

Para frear nova taxação:

Desde então, o governo brasileiro se reuniu quatro vezes com Jamieson Greer, chefe do USTR. Os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda) participaram das reuniões.

No início de junho, Durigan se disponibilizou para conversar com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sobre o assunto. No entanto, ele recuou, afirmando que poderia ligar, mas que “não cabe ao Brasil o papel de vassalagem”.

Em julho, começou a audiência pública sobre a investigação do USTR. Nesse processo, o governo brasileiro contou com o apoio de representantes de entidades empresariais e da sociedade civil do Brasil e dos Estados Unidos.

Nas audiências, os depoimentos de representantes de exportadores brasileiros destacaram um provável aumento de custos para a indústria americana devido à decisão de Trump de sobretaxar as importações do Brasil.

Do lado do Palácio do Planalto, Lula sustentou, em reunião com auxiliares na última sexta-feira, que as negociações deveriam ser mantidas até o último dia, apesar de o governo brasileiro já esperar a adoção das novas tarifas.

A possibilidade de optar pela reciprocidade contra o tarifaço ainda não é discutida em detalhes, pois, segundo o governo, a lista de produtos que sofrerão sanções permanece imprevisível.

Entre os principais pontos apontados pelos americanos está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. O relatório do USTR argumenta que o Banco Central do Brasil atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que criaria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital. Os EUA também criticaram as tarifas impostas ao etanol americano no Brasil.

O governo Lula, no entanto, sempre tratou o Pix como inegociável.

Primeiro tarifaço

O primeiro tarifaço do governo americano sobre produtos brasileiros entrou em vigor em 6 de agosto do ano passado. Na decisão inicial, Trump alegou uma suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de ameaças a plataformas americanas.

Por que o Pix incomoda tanto os EUA:

Na época, um dos argumentos sustentados por Trump para a imposição de tarifas sobre outros países era o déficit comercial que os Estados Unidos enfrentam com o resto do mundo. A taxa foi de 50%.

Desde então, representantes do governo brasileiro envolvidos nas negociações argumentam que, diferentemente do que ocorre com outros países, os Estados Unidos têm um superávit na balança comercial com o Brasil. Este discurso foi sustentado pelo presidente Lula, pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, e pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que comandava as discussões na época.

O argumento mantém-se atual, tendo sido citado na reunião de Lula com Trump em maio deste ano, mesmo com a percepção de que a aplicação das tarifas não possui fundamento econômico, e sim político.