Finanças

Férias de julho: confira 5 atividades para ensinar educação financeira às crianças de forma leve

Especialista explica que a infância é o momento ideal para introduzir conceitos relacionados ao dinheiro

Agência O Globo - 14/07/2026

Sem horário para acordar, nada de trabalhos para casa e bastante tempo livre. As férias de julho costumam ser sinônimo de descanso e lazer para as crianças. Porém, esse período também pode ser uma oportunidade para desenvolver habilidades que serão úteis por toda a vida, como a educação financeira.

Segundo a economista comportamental Olívia Resende, a infância é o momento ideal para introduzir conceitos relacionados ao dinheiro, já que é nessa fase que comportamentos, valores e hábitos começam a ser formados. Para ela, o aprendizado acontece principalmente por meio da observação dos pais e da participação das crianças nas decisões do dia a dia.

A especialista afirma que o principal erro cometido pelas famílias é evitar falar sobre dinheiro com os filhos. Na tentativa de proteger as crianças ou por considerarem o assunto complexo demais, muitos pais acabam deixando de apresentar conceitos básicos sobre finanças.

— As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Quando os pais as envolvem em pequenas decisões financeiras da família, elas passam a compreender, de forma natural, que todo recurso é limitado e precisa ser administrado. O erro é não falar sobre dinheiro e não apresentar esse universo desde cedo — explica.

Olívia ressalta que esse aprendizado precisa ser concreto. Por isso, sempre que possível, recomenda que os pais utilizem dinheiro em espécie ao dar uma mesada ou um valor para a criança administrar, já que visualizar as cédulas facilita a compreensão sobre quanto se ganha, quanto se gasta e quanto ainda resta.

Quando a família opta por utilizar contas digitais, ela sugere recorrer a recursos visuais para tornar o dinheiro "palpável". Uma alternativa é imprimir cédulas de brincadeira que representem o saldo disponível na conta ou utilizar um cofre transparente, permitindo que a criança acompanhe o crescimento da própria reserva e associe o ato de poupar ao aumento do patrimônio.

A especialista destaca que não é necessário recorrer a atividades complexas. Situações cotidianas podem se transformar em momentos de aprendizado, sempre de forma leve e lúdica.

Entre as sugestões estão:

  • Planejar em família um passeio, definindo antecipadamente quanto poderá ser gasto;
  • Transformar a ida ao supermercado em um jogo de comparação de preços, marcas e promoções;
  • Criar uma meta de economia para ser alcançada até o fim das férias;
  • Conversar sobre a diferença entre desejo e necessidade antes de realizar uma compra;
  • Montar o orçamento da volta às aulas, mostrando como o planejamento facilita a organização financeira.

A médica alergista Caroline Pássaro, de 45 anos, colocou esse aprendizado em prática com a filha, Juliana, de 9 anos. Desde que a menina tinha 6 anos, quando foi alfabetizada e passou a aprender as operações básicas de matemática, ela decidiu introduzir o tema na rotina da família.

Hoje, a filha recebe uma quantia semanal ao cumprir responsabilidades compatíveis com a idade, como arrumar a cama, organizar os brinquedos, guardar as roupas e fazer as tarefas da escola sem reclamações. Metade do valor é guardada no cofrinho, enquanto a outra metade pode ser usada em pequenos gastos, como comprar um lanche na escola ou participar de brincadeiras em festas juninas.

A mãe conta que também incentiva a filha a pensar no longo prazo. Em determinados períodos do ano, parte da economia é destinada à compra de dólares, com o objetivo de ensinar sobre planejamento e valorização do dinheiro.

— Explico que, se viajarmos, ela já terá um valor para comprar as próprias lembranças. Se a viagem não acontecer, o dinheiro continua guardado e valorizando para o futuro — relata.

Para ela, ensinar educação financeira desde cedo vai muito além de aprender a economizar.

— Quero que ela tenha independência financeira, consiga aproveitar as oportunidades que o dinheiro pode proporcionar, como educação, saúde e lazer, e que faça escolhas conscientes para construir um futuro mais tranquilo e seguro.

*Estagiária sob supervisão de Danielle Nogueira