Finanças
Motta avisa a líderes que vai brecar 'pauta-bomba' na Câmara e aguarda proposta do governo sobre dívida rural
Expectativa é que presidente da Câmara se reúna nesta quarta com integrantes do Ministério da Fazenda para discutir novo texto
O presidente da Câmara, (Republicanos-PB), afirmou aos líderes partidários nesta terça-feira que a Casa não deve discutir, de alto impacto nas contas públicas, e que o Ministério da Fazenda deverá apresentar um novo texto que busca um meio-termo nesse assunto ainda nesta semana.
Motta almoçou com um grupo de líderes e sinalizou esse encaminhamento, segundo quatro políticos a par das conversas. Um deles, que estava no encontro, afirmou à reportagem que o texto aprovado pelos senadores não avançará na Câmara “nem pensar”. Outro disse que houve um consenso entre as lideranças ali presentes que é preciso quebrar o avanço das chamadas pautas-bomba no Congresso.
A expectativa, segundo relatos de líderes, é que o presidente da Câmara se reúna nesta quarta-feira com representantes da Fazenda, e que a equipe econômica apresente um meio-termo, editando uma medida provisória (MP). Ainda segundo esses políticos, uma vez com a nova proposta em mãos, Motta deverá discutir o tema com representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), uma das principais forças do Congresso.
Mais cedo, com cerca de R$ 610 bilhões de recursos para o setor agrícola. Em fala à imprensa, o ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que as negociações em relação ao endividamento do produtor rural seguem e que o governo federal deve oferecer uma “alternativa” para tratar do tema.
—As negociações em relação ao endividamento do produtor rural elas seguem com a expectativa que muito rapidamente nós esperamos ter uma medida provisória em que o governo vai oferecer uma alternativa, uma posição e, a exemplo do Plano Safra, a melhor posição que pudermos dar para socorrer em relação a essa questão—, afirmou André de Paula.
O ministro da Fazenda, também disse no evento que uma nova proposta sobre o tema seria apresentada “nos próximos dias”.
O projeto de lei de renegociação das dívidas foi aprovado no Senado no último dia 10, contrariando apelos da equipe econômica do governo Luiz Inácio da Silva. A Fazenda calcula um impacto nas contas públicas de R$ 140 bilhões nos próximos dez anos. A equipe econômica tenta limitar o acesso a programas de renegociação de produtores impactantes por perdas climáticas ou crises econômicas. A intenção é evitar que o benefício seja utilizado de forma indiscriminada.
Como o GLOBO mostrou
Davi Alcolombre
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