Finanças

Brasil tem 13,9 milhões de jovens ocupados, mas rotatividade ainda preocupa

Levantamento aponta que 6,2 milhões de jovens não estudam nem trabalham no país

Agência O Globo - 25/06/2026
Brasil tem 13,9 milhões de jovens ocupados, mas rotatividade ainda preocupa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Brasil alcançou, no primeiro trimestre de 2026, o recorde de 13,9 milhões de jovens ocupados na faixa de 14 a 24 anos, superando o patamar anterior à pandemia. No mesmo período, a taxa de desemprego desse grupo caiu pela metade em relação ao pico registrado em 2021. Apesar do avanço, a permanência dos jovens no mercado de trabalho ainda é apontada como um dos principais desafios.

Os dados integram o inédito Diagnóstico da Juventude Brasileira, elaborado pela Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Divulgado nesta sexta-feira, o levantamento cruza informações da PNAD Contínua, da RAIS e do eSocial.

Segundo a pesquisa, se antes a principal dificuldade para os jovens era a falta de oportunidades, agora os maiores gargalos estão na rotatividade e na baixa qualidade dos vínculos de trabalho.

Atualmente, o país tem 32,9 milhões de pessoas entre 14 e 24 anos. Desse total, 13,9 milhões estão ocupadas, 12,8 milhões apenas estudam, 9,6 milhões somente trabalham e 4,3 milhões conciliam estudo e emprego. Há ainda 6,2 milhões de jovens que não estudam nem trabalham, grupo conhecido como “nem-nem”.

A pressão por inserção no mercado começa cedo. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, 15,6% estão em busca de emprego e enfrentam uma taxa de desemprego de 25,1% — mais de quatro vezes a média nacional, de 5,8%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice cai para 13,8%, mas ainda permanece acima da média do país.

Mesmo quando conseguem uma vaga, a estabilidade é restrita. Cerca de 52% dos adolescentes trabalhadores permanecem menos de um ano no mesmo emprego. Além disso, apenas 57,8% dos jovens ocupados têm carteira assinada.

Outro ponto destacado pelo levantamento é a jornada de trabalho dos mais novos. Adolescentes trabalham, em média, 27,3 horas por semana — cerca de 7,3 horas a mais do que o tempo considerado adequado para conciliar a atividade profissional com a rotina escolar. Segundo a pesquisa, essa carga pode comprometer a formação educacional.

Na área da educação, cerca de 73% dos jovens têm ao menos o ensino médio completo. No ensino superior, 2,3 milhões estão matriculados e 944 mil já concluíram a graduação, números considerados ainda modestos diante do tamanho da população jovem brasileira.

O diagnóstico também evidencia desigualdades persistentes. Entre aprendizes, por exemplo, meninos brancos recebem, em média, 8,4% a mais do que jovens pardos que exercem a mesma função.