Finanças
Banco de Edir Macedo tentou “induzir a erro” investidores e Banco Central, diz PF
Digimais afirma ter compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a colaboração com as autoridades competentes
As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) apontam que o Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, tentou “induzir um erro” o mercado e o Banco Central (BC) sobre sua situação financeira real. Dirigentes da instituição, fundos e empresas vinculadas ao grupo foram alvo de mandatos de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira (23), no âmbito da Operação Miragem .
A Justiça Federal de São Paulo também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados em até R$ 670 milhões .
O que diz o banco
Em nota, o Digimais informou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a Justiça.
“A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, declarou o banco.
No relatório que embasou a operação, a PF afirma que a Digimais teria adotado uma “complexa engenharia financeira” com o objetivo de normas e determinações contra roubo do Banco Central.
A investigação cita como exemplo uma auditoria do BC, realizada em outubro de 2023, na qual a autoridade fiscalizadora que o patrimônio de um fundo estava superinflado em 943% , passando de R$ 71 milhões para R$ 741,3 milhões . Diante disso, o Banco Central determinou a retomada das cotas ao valor de R$ 71 milhões.
padrão com fundo
Segundo as investigações, apesar da ordem da autarquia, em dezembro de 2025, a instituição fechou um contrato de compra e venda do fundo com uma empresa ligada ao grupo pelo valor de R$ 741,3 milhões , com previsão de pagamento para 2032.
“Os atos narrados configuram assunção de riscos excessivos e falta de diligência, configurando, pelo menos, gestão temerária e fraudes no mercado de capitais”, escreveu a PF. A investigação foi baseada em relatórios do Banco Central e apontadas paralelamente entre as supostas fraudes transferidas ao Digimais e as apuradas no caso do Banco Master.
Na avaliação da PF, a conduta do Digimais configurou uma “burla à determinação de correção outra proferida”. “A sequência de condutas consubstancia fingidas de materialidade e de autoria de infrações contra o Sistema Financeiro Nacional, o que exige a adoção de medidas ostensivas para o aprofundamento das linhas de investigação”, acrescentou o relatório ao solicitar os mandatos de busca e apreensão à Justiça.
Para os pesquisadores, a tentativa reiterada do banco de manter “elementos em desconformidade com a realidade de patrimônio” tinha como objetivo dar “aparência de riqueza” aos balanços da instituição.
“Nesse contexto, tais atos detinham o condição de induzir a erro os investidores de mercado e o próprio Banco Central quanto à higidez das finanças da entidade”, concluiu a PF.
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