Finanças
PF diz que banco ligado a Edir Macedo tentou induzir investidores e Banco Central a erro
Digimais afirma ter compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a colaboração com as autoridades competentes
A Polícia Federal aponta que o Banco Digimais tentou “induzir um erro” no mercado e no Banco Central sobre sua real situação financeira. Dirigentes da instituição, fundos e empresas ligadas ao grupo controlado pelo bispo Edir Macedo foram alvo de mandatos de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira, durante a Operação Miragem .
A Justiça Federal de São Paulo também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados, no montante de até R$ 670 milhões .
Em nota, o Digimais informou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a Justiça. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, declarou o banco.
No relatório que embasou a operação, a PF afirma que a Digimais teria adotado uma “complexa engenharia financeira” com o objetivo de normas e determinações contra roubo do Banco Central.
A investigação cita como exemplo uma auditoria do BC realizada em outubro de 2023. Na ocasião, a autoridade fiscal que o patrimônio de um fundo estaria superinflado em 943%, passando de R$ 71 milhões para R$ 741,3 milhões , e determinou a correção do valor das cotas para R$ 71 milhões.
Segundo o investigador, apesar da ordem da autarquia, a instituição firmou, em dezembro de 2025, um contrato de compra e venda do fundo com uma empresa ligada ao grupo, pelo valor de R$ 741,3 milhões, com previsão de pagamento para 2032.
“Os atos narrados configuram assunção de riscos excessivos e falta de diligência, configurando, pelo menos, gestão temerária e fraudes no mercado de capitais”, escreveu a PF, com base em relatórios do Banco Central.
Na avaliação da Polícia Federal, a conduta atribuída ao Digimais representou uma “burla à determinação de correção outra proferida”. “A sequência de condutas consubstancia fingidas de materialidade e de autoria de infrações contra o Sistema Financeiro Nacional, o que exige a adoção de medidas ostensivas para o aprofundamento das linhas de investigação”, acrescentou o relatório ao solicitar os mandatos de busca e apreensão à Justiça.
Para os pesquisadores, a tentativa reiterada do banco de manter “elementos em desconformidade com a realidade de patrimônio” teria como objetivo dar “aparência de riqueza” aos balanços da instituição.
“Nesse contexto, tais atos detinham o condição de induzir a erro os investidores de mercado e o próprio Banco Central quanto à higidez das finanças da entidade”, concluiu a PF.
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