Finanças
PF aponta que Digimais inflou cotas de fundos em quase dez vezes para registrar R$ 741 milhões no balanço
Diferença de R$ 670 milhões foi alvo de bloqueio autorizado na Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira
A Polícia Federal revelou que o banco Digimais teria inflado artificialmente, em quase dez vezes, o valor de cotas de fundos registrados em seu balanço. Segundo a investigação, ativos avaliados em R$ 71 milhões foram contabilizados por R$ 741.348 milhões .
A diferença, de aproximadamente R$ 670 milhões , corresponde ao montante cujo bloqueio foi autorizado no âmbito da Operação Miragem , deflagrada nesta terça-feira.
A operação investiga um suposto esquema de fraudes no Sistema Financeiro Nacional envolvendo a gestão do banco Digimais, instituição controlada pelo grupo do bispo Edir Macedo. A ação ocorre em São Paulo e inclui o cumprimento de novos mandatos de busca e apreensão. Também foi autorizado o fechamento de sigilos bancários e fiscais de investigações.
De acordo com a investigação, a instituição teria utilizado uma estrutura de fundos para melhorar seus resultados contábeis. O Banco Central constatou infração às normas e determinou a correção do balanço, de modo que os ativos retornariam ao valor de R$ 71 milhões. O banco, por sua vez, pediu o parcelamento do impacto contábil ao longo de cinco anos.
Apesar da determinação da autarquia financeira, em 29 de dezembro de 2025, o Digimais celebrou contrato de compra e venda a prazo das cotas de fundos com sua controladora, a BA Empreendimentos e Participações, pelo valor total de R$ 741.348.945,70 , sem que houvesse entrada de recursos na caixa da instituição financeira. A previsão de pagamento foi estipulada para 2032, com a reversão das disposições determinadas pelo Banco Central.
“Por conseguinte, a equipe de fiscalização protege que o contrato de alienação de cotas realizado na manutenção dos valores gerados pelas reavaliações de ativos nos demonstrativos de contabilidade do Banco Digimais, com o registro sob a rubrica de valores a receber do controlador, o que trabalhou como via de burla à determinação de correção outrara proferida”, destacou a PF na representação da operação.
Em nota, o banco afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso.
“A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, declarou o Digimais.
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