Finanças

PF diz que Banco Digimais adotou práticas semelhantes às do Master para inflar patrimônio

Relatório aponta suposta superavaliação de ativos, manipulação de balanços e uso de títulos com rentabilidade acima do mercado

Agência O Globo - 23/06/2026
PF diz que Banco Digimais adotou práticas semelhantes às do Master para inflar patrimônio
Digimais

A Polícia Federal afirmou que o Banco Digimais desenvolveu práticas semelhantes às atribuídas ao Banco Master ao inflar ativos sem lastro financeiro e manipular balanços para driblar órgãos de controle. Segundo as investigações, em um dos casos analisados, a instituição teria elevado o valor de um ativo adquirido em 2023 de R$ 31 milhões para R$ 230 milhões, gerando um patrimônio fictício de R$ 199 milhões.

"O Banco Digimais, sob o controle de Edir Macedo, apresenta práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do incêndio Banco Master", diz trecho do relatório da PF obtido pelo jornal O Globo. A instituição pertence ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record.

Em outro episódio citado no relatório, dois ativos que somavam R$ 71 milhões foram reavaliados, em seguida, para R$ 174,5 milhões, o que, segundo a PF, inflou artificialmente o patrimônio do banco.

A Polícia Federal ressalta, em diferentes trechos do documento, que o Digimais teria replicado irregularidades identificadas no inquérito do caso Master, como o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para emitir títulos com "rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado".

"Como será apresentado, aproveitando a assimetria de informação e a confiança dos depositantes na proteção institucional, a diretoria do Banco Digimais replicou a prática de superavaliar ativos por meio da emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a elasticidade da sua carteira de crédito", afirma a PF no relatório.

Dirigentes do Banco Digimais foram alvos, nesta terça-feira, de mandatos de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo.