Finanças

Petrobras e Pemex firmam acordo para estudos em águas profundas no Golfo do México

Parceria prevê ações conjuntas em exploração e produção de petróleo, campos maduros, refino, petroquímica e combustíveis renováveis

Agência O Globo - 23/06/2026
Petrobras e Pemex firmam acordo para estudos em águas profundas no Golfo do México
Foto: © Stéferson Faria/Agência Petrobras/Fotos Públicas

A Petrobras e a Petróleos Mexicanos (Pemex), as duas maiores petroleiras estatais da América Latina, enviaram nesta terça-feira um memorando de entendimento para cooperação estratégica e técnica. O acordo prevê oportunidades de trabalho conjunto em exploração e produção de petróleo em águas profundas e campos maduros, além de ações para ampliar a eficiência nas áreas de refino e petroquímica. A assinatura ocorreu em conferência no Edise, sede da Petrobras, no Centro do Rio de Janeiro.

Segundo as autoridades apresentadas ao evento, a expectativa é de que a parceria seja de benefício mútuo para os dois países. Entre as possibilidades está o apoio da Petrobras à Pemex na aplicação de tecnologias inovadoras à revitalização e à expansão da produção na posição mexicana do Golfo do México.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o Golfo do México está “praticamente virgem” em termos de exploração em águas profundas na área mexicana. Para ela, não é crível imaginar que o petróleo esteja concentrado apenas na parte norte-americana da região.

— Vemos uma possibilidade muito grande de águas profundas na posição mexicana do Golfo do México, porque não é crível que a gente olhe para a região e diga: “Todo o óleo escolheu ficar na posição americana”, que foi a mais desenvolvido e recebeu investimento ao longo de muitos anos.

Em conversa com jornalistas, Magda explicou que a intenção é aplicar tecnologias semelhantes às usadas no Brasil em sísmica, processamento, interpretação e clareza, responsáveis ​​por contribuições o avanço do pré-sal. Embora os desafios geológicos sejam diferentes, ela afirmou que a Petrobras tem experiência para atuar em formações complexas.

— Lá, na região do Golfo, são gomos de sal soltos, diferentes daqui, que são muralhas de sal muito espessas. Aqui, nós chamamos de pré-sal. Lá, eles chamam de subsal, exatamente porque são esses gomos localizados — explicado, ao afirmar que a estatal brasileira tem expertise para perfurar tanto entre esses gomos quanto através deles.

Magda citou como exemplo o campo de Cantarell, que no passado levou o México a produzir mais de 3 milhões de barris de petróleo por dia. A produção mexicana, no entanto, caiu nos últimos anos, e o Brasil superou o país em volume produzido em 2017. No primeiro trimestre de 2026, a Pemex registrou média de 1,65 milhão de barris de petróleo bruto por dia.

Verticalização dos negócios

De acordo com o presidente da Petrobras, o interesse em construir uma parceria surgiu durante uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao comentar a estreitamento das relações bilaterais entre Brasil e México, Magda propôs uma aproximação entre as duas petroleiras.

— Não preciso falar duas vezes. Ele pegou o telefone, ligou para a presidente Claudia Sheinbaum e disse: “Eu vou mandar a Magda aí falar com vocês” — contorno. Segundo ela, equipes técnicas dos dois países já realizaram visitas mútuas para dar início aos trabalhos, com foco na “segurança energética de ambos os países”.

Magda afirmou ainda que, enquanto grandes empresas de petróleo ampliam portfólios exploratórios e aproveitam vantagens da verticalização dos negócios, Petrobras e Pemex seguem caminho oposto, com desverticalização e redução de investimentos na produção.

— Não furamos nem um poço pioneiro na Petrobras em 2021 ou 2022. Quando a gente olha para a Pemex, aconteceu uma coisa muito parecida. Eu disse a Lula: “Não podemos nos envergonhar de produzir e explorar petróleo”.

O presidente da Petrobras ressaltou que os investimentos e projetos específicos ainda serão definidos a partir de estudos conjuntos, sempre com a busca de benefícios para os dois lados.

— A coisa unilateral não é a nossa praia — afirmou, ao dizer que ainda não há cronograma ou prazo definido para a conclusão dos estudos de cooperação. — Nós mandamos uma equipe grande para o México. Agora eles retribuíram essa visita aqui. Agora vamos começar um trabalho que a gente espera que seja muito vantajoso para ambos os países.

Juan Carlos Capio Fragoso, CEO da Pemex, disse que a empresa trabalha para melhorar o fluxo de caixa e espera que a parceria gere resultados concretos “o mais rápido possível”.

Petroquímica e fertilizantes

A cooperação entre Brasil e México também pode prolongar-se ao setor petroquímico e à produção de fertilizantes, caso haja disponibilidade de gás e interesse mútuo. Magda lembrou ainda a presença da Braskem no México.

A parceria também busca elevar a eficiência das refinarias dos dois países, que não são novas. A ideia é trabalhar em conjunto para que a Petrobras possa compartilhar conhecimentos, mas também aprender formas mais eficientes de refinar petróleo, incluindo o coprocessamento para a produção de combustíveis renováveis.

Segundo o presidente da Petrobras, é necessário agregar valor ao petróleo dentro dos territórios nacionais para melhorar o retorno das empresas.