Finanças
Tesouro Direto tem melhores taxas em anos; veja se vale a pena investir agora
Títulos públicos oferecem remuneração em patamares elevados, mas aplicação exige atenção ao prazo, ao perfil do investidor e à marcação a mercado
Os títulos do Tesouro Direto vêm registrando, desde a semana passada, níveis expressivos de rendimento. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032, indexado à inflação, ofereceu na manhã de ontem ganho real de 8,56% ao ano — ou seja, acima da inflação. Já o Tesouro Prefixado 2032 remunerava em 14,9% ao ano os investidores interessados na compra do papel.
Nos vencimentos mais longos, as taxas também avançam em patamares elevados. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2040 gerou, ontem, retorno real de 7,54% ao ano.
A oscilação foi tão forte que o Tesouro Nacional cancelou as negociações que fariam nesta terça-feira (23) com investidores institucionais, envolvendo a venda de títulos atrelados à inflação.
Retornos mais altos em uma década
Os títulos vêm sendo negociados, há algumas semanas, nas maiores taxas de retorno dos últimos anos, afirma Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. Segundo ela, os papéis com cerca de cinco anos de vencimento — como o IPCA+ 2032 — estão no maior nível desde 2016, período marcado por forte crise econômica e aumento das incertezas no país.
— O mercado está precificando que o juro pode até cair no curto prazo, mas que ele vai ter que voltar a subir no longo prazo — disse.
Combinação de.
O avanço recente dos rendimentos é resultado de uma combinação de fatores, avalia Marco Antônio Caruso, economista do Santander.
— O mercado passou a exigir um prêmio maior para carregamento ativo de prazo mais longo, diante das incertezas futuras, das dúvidas sobre a trajetória da inflação e do cenário político dos próximos anos — afirmou.
A alta dos rendimentos também reflete a preocupação com a trajetória dos gastos públicos. Para 2026, o governo já lançou medidas que podem estimular a economia em 1,6% do PIB. Essa injeção de recursos tende a aquecer a atividade econômica e pode pressionar a inflação, diante do aumento de gastos, elevando a necessidade de juros mais altos à frente para conter os preços.
Larissa Frias, planejadora do C6 Bank, também destacou o peso das expectativas de juros no exterior, especialmente nos Estados Unidos, onde os investidores passaram a considerar a possibilidade de alta da taxa básica até o fim do ano. As projeções externas e internas foram revisadas para cima em meio à extensão do conflito geopolítico no Irã, que elevou o preço dos combustíveis e impactou diferentes setores da economia.
Há riscos?
O Tesouro Direto é um investimento com garantia soberana do governo, que garante o retorno do capital aplicado e dos juros contratados na data de vencimento do título. Ainda assim, o investidor precisa avaliar seus objetivos, o prazo da aplicação e sua tolerância a oscilações no valor dos papéis.
Os analistas afirmam que o prazo é o principal fator a ser considerado na hora de adquirir um título. Isso porque o dinheiro aplicado pode apresentar rentabilidade negativa nos primeiros momentos, caso o investidor observe o valor do mercado do papel. Esse movimento é conhecido como marcação a mercado.
Nossos títulos públicos, preços e prazos caminham juntos até o vencimento da aplicação. Marília, da Nord, explica que o preço é o valor pago inicialmente pelo título, vinculado a um determinado taxa.
Com a volatilidade, porém, a taxa pode subir, o que reduz o preço do título no mercado. Nesse cenário, o investidor pode ver a aplicação apresentar perda no curto prazo, apesar da segurança de receber o valor contratado caso o papel seja curto até o vencimento. Por isso, é preciso atenção caso não haja intenção de permanecer com o título até a data final.
— Se você tentar vender títulos prefixados antes do vencimento e as taxas sobem, você terá prejuízo de marcação ao mercado. São títulos que podem ter uma visão de perigo no curto prazo — explicado.
Tesouro Selic elimina oscilações de mercado
Larissa, do C6 Bank, afirma que os títulos atrelados à inflação podem, nas taxas atuais, ser interessantes para quem deseja começar a investir nessa modalidade, desde que o prazo esteja direcionado aos objetivos do investidor.
Para quem considera 2032 um horizonte distante, ou para investidores mais conservadores, que podem se sentir desconfortáveis com a marcação do mercado, a principal alternativa é o título pós-fixado: o Tesouro Selic. Ele acompanha diariamente a taxa básica de juros e, na avaliação da planejada financeira, é uma boa opção para garantir rendimento com menor volatilidade, além de servir como reserva de emergência.
Para quem não quer escolher os títulos individualmente, Larissa recomenda fundos de investimento em renda fixa, que visam acompanhar os rendimentos de papéis do Tesouro com gestão profissional.
— O investidor acaba de diminuir o risco de concentração, pois os fundos facilitam o acesso a todos os ativos de renda fixa. E ainda assim ele consegue capturar os níveis de juros altos — disse a planejada do C6.
Se liga no Imposto de Renda
Os investimentos em títulos públicos não são isentos de impostos. Da poupança, há cobrança de Imposto de Renda Diferente no Tesouro Direto, descontado apenas no momento do resgate.
A alíquota segue a tabela regressiva, conforme o prazo da aplicação. Para resgates realizados antes de 31 dias da aplicação inicial, também há cobrança de IOF.
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