Finanças

Ata do Copom detalha decisão que reduziu Selic para 14,25% ao ano

Banco Central manteve tom cauteloso e não indicou os próximos passos para a reunião de agosto

Agência O Globo - 23/06/2026
Ata do Copom detalha decisão que reduziu Selic para 14,25% ao ano
Selic

O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. O documento detalha a decisão unânime de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano .

No comunicado divulgado após o encontro de quarta-feira, embora tenha anunciado o corte da Selic, o BC apresentou uma avaliação mais cautelosa sobre o cenário de inflação. A autoridade monetária citou a resiliência do crescimento econômico, as incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio e os efeitos das características climáticas, como o El Niño.

O ponto que mais chamou a atenção do mercado foi a sinalização de um possível “alongamento” do horizonte relevante da política monetária — prazo considerado pelo Banco Central para conduzir a inflação à meta. Os analistas aguardavam um ata para compreender melhor esse movimento.

A sinalização provocou ruídos no mercado, com pressão sobre os juros futuros e o câmbio nos dias seguintes ao anúncio. Parte dos analistas passou a interpretar que o BC poderia demonstrar maior tolerância a desvios da inflação acima da meta de 3%.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. A meta oficial é de 3,0% , com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5% .

A projeção oficial do BC para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, subiu de 3,5% para 3,7% . Na próxima reunião do Copom, o horizonte passará a ser o primeiro trimestre de 2028.

“Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para garantir a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas horizontes a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta.

Apesar da explicação, o Banco Central não deu sinal concreto sobre o que pretende fazer na próxima reunião, marcada para agosto.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, limitou-se a afirmar.