Finanças
Durigan vê interesse dos EUA em ajudar Bolsonaro, mas defende diálogo sobre etanol e big techs
Secretário-executivo da Fazenda diz que Brasil pode tratar de temas setoriais com Trump, mas rejeita negociar Pix e soberania nacional
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstra interesse político em ajudar a família Bolsonaro. Apesar disso, Durigan disse que o Brasil pode discutir com a Casa Branca temas específicos apontados como justificativa para a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros, como o etanol e a regulação das big techs.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou a adoção de tarifas devido a suspeitas de práticas desleais e de falhas no bloqueio à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. As medidas, somadas, podem elevar em 37,5% a carga sobre exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Na quarta-feira, Trump afirmou que o Brasil “tem sido um pouco perigoso politicamente”.
“Eu acho que existe um interesse econômico, além do interesse político de ajudar a família Bolsonaro. Existem, sim, preocupações econômicas que me chegam, seja de empresas, setores, câmaras de comércio. Existe uma preocupação das empresas de tecnologia com a regulação que vai se dar no Brasil, com a tributação que se vai instituir no Brasil. Isso é natural”, disse Durigan, em entrevista ao Metrópoles.
“O etanol é uma questão específica, assim como a regulação de big techs. A gente poderia discutir essas coisas setoriais. O que não cabe é dizer que o país todo tem o problema, como antes foi alegado, de caça às bruxas, de que o Judiciário está perseguindo um determinado cidadão. Isso não faz sentido”, completou.
Diplomacia
Segundo Durigan, o Brasil seguirá negociando com os Estados Unidos por meio da diplomacia e de argumentos técnicos. Ele ressaltou, no entanto, que há limites claros para as conversas, citando o Pix, a soberania nacional, o combate ao crime organizado e o processo eleitoral como temas que não devem entrar na mesa de negociação.
Para o secretário-executivo, a declaração de Trump não se justifica, porque a preocupação do Brasil, neste momento, é manter a estabilidade institucional e garantir eleições livres. Ele comparou o cenário atual ao processo eleitoral de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro.
“O que vamos ter este ano no país? Vamos ter eleições livres, as pessoas vão poder votar, não vai ter a Polícia Rodoviária Federal bloqueando ônibus de pessoas se deslocando para votar, não vai ter questionamento das eleições. Vamos seguir com estabilidade. Isso é bom para a economia”, afirmou.
Durigan também avaliou que a fala de Trump pode ter efeito político. “Eu não vejo nenhuma razão para declaração desse tipo, a não ser criar instabilidade, querer atuar em favor da oposição”, disse.
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