Finanças
Banco Central reduz taxa básica de juros para 14,25% ao ano
Decisão unânime do Copom foi tomada em reunião liderada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, nesta quarta-feira (17), a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e confirmou a expectativa da maior parte do mercado financeiro.
Este foi o terceiro corte consecutivo da mesma magnitude no ciclo de alívio monetário iniciado em março, quando a Selic estava em 15% ao ano.
Segundo pesquisa do Valor Pro com 112 instituições financeiras, 94 esperavam redução de 0,25 ponto percentual, para 14,25%, enquanto outras 18 projetavam a manutenção da taxa em 14,50%. Na reunião anterior, em abril, o Banco Central havia indicado que pretendia dar continuidade ao ciclo de “calibração” dos juros, mas sem antecipar o ritmo nem a extensão dos próximos passos.
A postura cautelosa do colegiado foi adotada diante das incertezas no cenário externo, provocadas por conflitos no Oriente Médio, e das dúvidas sobre a velocidade de desaceleração da atividade econômica brasileira — fator considerado essencial para que o Banco Central consiga conduzir a inflação à meta.
“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, afirmou o BC, na ata do Copom de abril.
“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, completou o Comitê.
Em abril, a projeção oficial do Copom para o IPCA, considerando a trajetória da Selic no Boletim Focus, era de 4,6% no fim de 2026 e de 3,5% no fim de 2027. Este último é o horizonte atualmente utilizado pelo Banco Central para buscar a convergência da inflação à meta. O alvo é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
As expectativas do mercado, por sua vez, eram de 4,9% para 2026 e de 4% para 2027 no último Copom. Na pesquisa Focus mais recente, encerrada na sexta-feira passada, as projeções subiram para 5,3% e 4,1%, respectivamente.
Na avaliação de economistas, a alta nas projeções reduz o espaço para novos cortes da Selic nos próximos meses. Antes da decisão desta quarta-feira, já havia uma corrente relevante no mercado que considerava a possibilidade de esta redução ser a última de um ciclo breve.
O gatilho para a piora das expectativas de inflação foi o aumento das tensões no Irã, que provocou forte impacto nos preços internacionais do petróleo. Ainda assim, segundo analistas, a expectativa de cessar-fogo após um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã não deve alterar de forma significativa a condução da política de juros no Brasil.
Isso porque a inflação brasileira já apresenta pressões mais disseminadas entre diferentes grupos de preços, não se limitando aos impactos sobre combustíveis. Além disso, há perspectiva de alta nos alimentos em razão de fatores climáticos, com previsão de um El Niño intenso neste ano.
Outro ponto de preocupação é a resiliência da atividade econômica brasileira, que pode ganhar novo impulso com programas recentemente lançados pelo governo federal, como novas linhas de crédito.
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