Finanças
Diante de Trump, Lula deve criticar protecionismo dos EUA no G7
Convidado pela França, presidente brasileiro deve defender o multilateralismo e se posicionar contra tarifas sobre produtos do Brasil; encontro direto com o norte-americano ainda é incerto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve discursar nesta terça-feira, no segundo dia de compromissos da cúpula do G7, grupo que reúne as economias mais avançadas do mundo e a União Europeia, em Évian-les-Bains, na França.
Lula deve usar o evento para criticar o protecionismo dos Estados Unidos e as medidas tarifárias anunciadas pelo governo de Donald Trump no início do mês, que incluem a possibilidade de taxação de produtos brasileiros.
A participação do presidente brasileiro deve ser guiada pela reafirmação do compromisso do Brasil com o multilateralismo e pela defesa de um modelo de desenvolvimento sustentável mais justo. Segundo aliados, Lula pretende posicionar o país como uma das principais vozes do Sul Global diante das maiores economias do mundo.
Embora Trump também participe da cúpula, não há reunião bilateral prevista entre os dois líderes. Ainda assim, a possibilidade de uma conversa informal à margem do encontro não está descartada, como ocorreu durante reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado, episódio que abriu espaço para uma relação mais direta entre eles.
Convidado pela França
Lula anunciou sua ida ao G7 um dia após a divulgação das conclusões de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Embora o Brasil não integre o grupo das maiores economias do mundo, o país foi convidado pelos anfitriões franceses a participar da cúpula. O governo brasileiro vinha mantendo em aberto, até então, a possibilidade de Lula comparecer ao evento.
Além da participação no G7, o presidente brasileiro terá um encontro bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. A reunião antecede o debate principal da cúpula e integra a estratégia de Lula de fortalecer laços com outras potências do grupo, isolar as medidas tarifárias americanas e buscar mercados alternativos para o Brasil.
A agenda desta terça-feira dá continuidade aos movimentos iniciados na segunda, quando Lula se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, para tratar de temas como inteligência artificial e minerais críticos. O brasileiro também manteve conversas com o anfitrião, Emmanuel Macron, sobre o cenário econômico global.
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