Finanças

EUA e Irã fecham acordo para encerrar guerra, e petróleo cai

Barril do Brent recua mais de 3%, enquanto o WTI registra queda de 4% após anúncio de acordo

Agência O Globo - 15/06/2026
EUA e Irã fecham acordo para encerrar guerra, e petróleo cai
Petróleo

O preço do petróleo recuou após Estados Unidos e Irã fecharem um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, abrindo caminho para a possível reabertura do Estreito de Ormuz. O Brent para entrega em agosto caiu 3,4%, para US$ 84,32 por barril, depois de ter encerrado na semana anterior no menor nível em mais de três meses. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, foi negociado a US$ 81,46, com queda de 4%.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em publicações nas redes sociais, que autorizaria a “reabertura sem pedágio” do Estreito de Ormuz e também o fim do bloqueio imposto à República Islâmica. Segundo ele, a passagem será reaberta quando o acordo for assinado, na sexta-feira.

“Navios do mundo, liguem seus motores”, escreveu Trump. “Deixem o petróleo fluir!”, acrescentou.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que um acordo foi alcançado e disse que o texto será divulgado após a conferência de assinatura, prevista para ocorrer na Suíça.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que “certamente” pretende participar da conferência e que também há possibilidade de Trump comparecer.

Mercados

Os mercados globais de energia vêm sendo fortemente impactados pela guerra desde o início do conflito, no final de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã com o objetivo de conter seu programa nuclear.

A resposta de Teerã incluiu ataques em diversas áreas do Golfo Pérsico e o encerramento do Estreito de Ormuz, por onde, em períodos de normalidade, transita cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Paralelamente, as forças americanas também impuseram um bloqueio às embarcações ligadas ao Irã.

Depois de dispararem no início da guerra, os preços do petróleo perderam força nas últimas semanas diante dos sinais de aproximação entre Washington e Teerã e acusações de retomada parcial dos fluxos pelo Estreito.

Além disso, os países desenvolvidos investiram em reservas estratégicas de petróleo, enquanto grandes importadores, especialmente a China, reduziram suas compras.

Obstáculos

Embora o acordo represente um intervalo importante para os produtores de energia do Golfo, para a indústria global de transporte marítimo e para os consumidores, ainda há obstáculos para a normalização completa do tráfego no Estreito de Ormuz.

Entre os principais desafios estão a remoção de minas navais e a definição das novas critérios do Irã para o controle das embarcações que atravessam a região.

Os contratos futuros de gás natural na Europa também registraram forte queda, chegando a recuar até 5,8%.