Finanças

Lula vai ao G7 sem reunião prevista com Trump e deve criticar tarifaço dos EUA

Presidente brasileiro terá encontros com Emmanuel Macron e Sanae Takaichi durante a cúpula na França

Agência O Globo - 15/06/2026
Lula vai ao G7 sem reunião prevista com Trump e deve criticar tarifaço dos EUA
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Foto AP/Eraldo Peres.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou na tarde deste domingo para a França, onde participará da cúpula do G7, na terça e na quarta-feira, em Évian-les-Bains. No encontro, Lula deve reforçar as críticas à possibilidade de uma nova tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo membros do governo, não houve pedido de reunião reservada com o presidente americano, Donald Trump, e não há agenda oficial entre os dois previstos até o momento. A ausência de compromisso formal, no entanto, não impede uma conversa informal à margem do encontro, como ocorreu na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado, episódio que abriu caminho para uma relação mais direta entre os dois líderes.

Lula confirmou sua ida ao G7 um dia após a divulgação das conclusões de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Embora o Brasil não faça parte do grupo das maiores economias do mundo, foi convidado pelos anfitriões franceses a participar da cúpula e vinha mantendo em aberto a possibilidade de comparecer ao evento.

Auxiliares de Lula avaliam que não teriam ganho político ao buscar uma reunião formal neste momento, apesar das recentes iniciativas da Casa Branca envolvidas no Brasil. Ainda assim, uma conversa informal é vista como possível caminho para tentar viabilizar um retorno dos americanos. O presidente brasileiro já tem encontros previstos com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos estudam impor uma taxa adicional de 12,5% para cerca de 60 países, entre eles o Brasil, sob a alegação de falhas relacionadas ao combate ao trabalho imposto. Também causaram desconforto no governo brasileiro a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, além da recepção dada por Trump ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca.

Entre as medidas adotadas pelos Estados Unidos, os membros do governo compartilham que a única possibilidade de revisão no curto prazo é a proposta de sobretaxa de 25%. O tema já vem sendo tratado por um grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Trump, em 7 de maio. Na avaliação do Planalto, não faria sentido levar a discussão diretamente aos presidentes enquanto há um canal institucional aberto entre representantes de alto escalonamento dos dois países.

No sábado, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, participou de uma reunião virtual com o representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. De acordo com o ministério, uma nova rodada técnica de negociações deverá ocorrer nos próximos dias.

Mesmo sem encontro direto com Trump, Lula deve abordar o tema das tarifas em sua intervenção na cúpula. A pauta de terça-feira será dedicada aos desequilíbrios macroeconômicos globais, espaço que o presidente pretende utilizar para criticar o unilateralismo e o que considera um enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na última quinta-feira, Lula afirmou que Trump “não foi eleito para ser imperador do mundo”. No G7, porém, a expectativa de auxiliares é que o presidente brasileiro adote um discurso mais diplomático, compatível com o ambiente do encontro.