Finanças

Governo prepara linha de crédito de R$ 4 bilhões para entregadores

Financiamento deve ter juros mais baixos e poderá ser usado na compra de motos, inclusive elétricas

Agência O Globo - 10/06/2026
Governo prepara linha de crédito de R$ 4 bilhões para entregadores
Lula - Foto: © ANSA/EPA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma linha de crédito subsidiado, com juros mais baixos, para facilitar a compra de motocicletas por entregadores vinculados a plataformas digitais.

A medida se soma a outras iniciativas de apelo popular discutidas pela gestão federal em ano eleitoral e deve ser anunciada ainda este mês, caso os ajustes finais sejam concluídos.

O que se sabe sobre o crédito

A previsão do governo é disponibilizar R$ 4 bilhões para a nova linha de financiamento. Segundo técnicos que acompanham as discussões, para ter acesso ao crédito será necessário comprovar vínculo de prestação de serviço com uma plataforma, como o iFood, por exemplo, por pelo menos seis meses.

Para reduzir os juros e mitigar o risco de inadimplência — considerado maior em razão do perfil dos trabalhadores, em geral informais e de baixa remuneração — o governo avalia utilizar recursos de um fundo garantidor para cobrir eventuais calotes.

O Fundo de Garantia de Operações (FGO) é uma das alternativas em análise, mas ainda não há definição sobre a necessidade de novos aportes.

Também está em discussão a cobrança de um seguro. Bancos alegam dificuldade para recuperar esse tipo de bem em caso de inadimplência, diferentemente do que ocorre com automóveis.

A exigência de vínculo com uma plataforma tem como objetivo permitir que a parcela do empréstimo seja descontada diretamente da remuneração a ser creditada na conta bancária do trabalhador.

Técnicos estimam que o público potencial da medida fique entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país. O valor médio de uma motocicleta é de R$ 17,8 mil, abaixo do custo de um carro.

A proposta também prevê que os recursos possam ser usados na compra de motos elétricas, que custam entre R$ 8 mil e R$ 9 mil. Não deverá haver exigência de que o fabricante seja uma empresa nacional.

A medida ainda depende de ajustes finais, mas o governo tem pressa para anunciar o financiamento dentro do pacote de ações previstas para este ano.