Finanças

Fim da escala 6x1: após Câmara aprovar PEC, Motta pede ao governo para tirar urgência

Objetivo é liberar a pauta da Casa, que travou com proposta do Palácio do Planalto

Agência O Globo - 09/06/2026
Fim da escala 6x1: após Câmara aprovar PEC, Motta pede ao governo para tirar urgência
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que pediu ao governo Lula para recuar do regime de urgência do Projeto de Lei que foi enviado para tratar do fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador tem seis dias de trabalho e um de descanso.

Os deputados aprovaram no fim de maio uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto. Um acordo feito entre Motta e governo estabeleceu que o projeto enviado pelo Palácio do Planalto serviria para regulamentar alguns pontos da PEC.

O regime de urgência impede que a Câmara vote outros projetos enquanto o PL do fim da 6x1 não for analisado pelos deputados.

Motta se reuniu na manhã desta terça-feira com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. O presidente da Câmara disse que o governo ainda não decidiu se vai retirar o pedido de urgência.

– Não deram uma resposta firme se vão tirar ou não. A proposta foi votada na Câmara já. Estão avaliando — declarou ao chegar para participar da reunião de líderes da Casa.

O governo não deve retirar, por ora, a urgência do projeto, segundo uma pessoa que acompanha as negociações de perto. A avaliação é que retirar essa urgência pode esfriar a discussão do tema no Senado, risco que o Planalto não quer correr neste momento. Apesar disso, governistas estão em contato com Hugo Motta para evitar ruído com o presidente da Câmara.

A proposta prevê dois dias de folga na semana já neste ano e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas num período de 14 meses, depois de a votação ser concluída nas duas Casas.

A PEC do fim da escala 6x1 tem sido articulada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma forma de impulsionar a sua popularidade para a campanha de reeleição.

Ela agora precisa ser votada no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não definiu qual será o caminho que a PEC seguirá. Assim como Motta, Alcolumbre também se reúne com Guimarães nesta terça para debater a proposta.