Finanças
'Brasil deve assumir suas responsabilidades' , diz porta-voz para Comércio da Comissão Europeia sobre veto à exportação de carne
Para Olaf Gill, país tem 'capacidade e conhecimento' para cumprir exigências sanitárias da UE. Bloco vetou venda de carne a partir de 3 de setembro
O porta-voz para Comércio da Comissão, Olaf Gill, disse nesta terça-feira acreditar que o Brasil tem “capacidade industrial e conhecimento” para cumprir os padrões sanitários necessários para exportar carne para a (UE), mas, enquanto isso não for feito, o veto às exportações de carne bovina e de frango será.
Na semana passada, a UE confirmou que as exportações de carne bovina e de frango serão vetadas a partir de 3 de setembro, caso o Brasil não apresente garantias de que não usa especificações específicas na produção animal.
Gill frisou que a exigência para que o governo brasileiro apresente essas garantias vinha sendo tratadas há três ou quatro anos entre as partes.
— É uma questão simples do Brasil resolver esse problema. Acreditamos que o país tem capacidade industrial e conhecimento para atender aos nossos padrões. O Brasil deve assumir suas responsabilidades — disse Gill.
O Brasil foi retirado da lista de países após exportar carne para a UE em 12 de maio. A UE diz que o país não conseguiu apresentar garantias de que não utiliza certos medicamentos proibidos pelo protocolo sanitário europeu. Esses medicamentos são usados para prevenir e tratar doenças em animais.
Demais integrantes do Mercosul continuam aptos a vender seus produtos ao bloco europeu. Muitas empresas brasileiras têm operações no Uruguai, por exemplo, mas Gill confirmou que o país está apto a exportar para a UE.
Para ele, esta questão não será um obstáculo para que o acordo UE-Mercosul seja validado pela Corte Europeia:
— Estou 100% confiante de que o acordo tem base legal para ser aprovado.
O acordo UE-Mercosul foi aprovado pelos países da UE em janeiro, mas os eurodeputados decidiram pedir ao Tribunal de Justiça da UE um parecer legal antes de dar aval à parceria. A parte comercial do acordo entrou em vigor provisoriamente em 1 de maio enquanto o parecer não está finalizado.
Gill não deu atenção a quanto tempo uma decisão final do corte pode levar, mas disse que processos semelhantes levaram de um ano a um ano e meio para serem concluídos.
Na sua opinião, houve uma campanha política contra o acordo feito por alguns setores da sociedade europeia.
— Na nossa avaliação, (a objeção ao acordo) não foi baseada em fatos. Os membros do Parlamento de Verão que o acordo traz benefícios e que os seus temores não têm fundamento.
* A jornalista a convite da União Europeia
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