Finanças

Ypê: um mês após recall de produtos, empresa acumula reclamações por demora em reembolsos

EXTRA tenta há mais de uma semana orientações sobre como devolver produtos e ter estorno

Agência O Globo - 08/06/2026
Ypê: um mês após recall de produtos, empresa acumula reclamações por demora em reembolsos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um mês depois da interdição pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de diversos lotes de 24 produtos produzidos pela Ypê, a empresa tem retardado o ressarcimento para consumidores que tentam sem sucesso devolver os produtos afetados pela medida do órgão.

No portal ReclameAqui, plataforma que conecta clientes insatisfeitos com produtos e serviços a empresas, a reportagem conta ao menos 230 reclamações somente nos últimos sete dias de clientes que realizaram o pedido de reembolso e também registraram demora no atendimento. Apesar de responder com certa regularidade, a nota da empresa é considerada insatisfatória pela plataforma.

A reportagem também fez um pedido de reembolso, mas ainda não foi atendida. O EXTRA registrou em 27 de maio o pedido de devolução de uma gama de produtos através da página do SAC da Ypê.

Os itens foram usados ​​pelo jornal para instruir os leitores sobre como identificar os lotes afetados e foram comprados no dia da interdição da fábrica e interrupção das vendas, em 7 de maio. Apenas um e-mail de confirmação da solicitação foi enviado pelo Ypê no dia do registro.

Falha nas devoluções

Apesar do volume de reclamações sobre a demora no atendimento, alguns clientes registram sucesso, ainda que parcial. Ao saber do recall, a auxiliar de lógica pedagógica Larissa Lopes preencheu o formulário na página naquele dia 7 de maio, mesmo dia da decisão da Anvisa.

Segundo ela, apesar de todos os cinco produtos adquiridos terem o algarismo 1 no fim do lote, alguns não estavam disponíveis para preenchimento no site. Dois deles — detergentes e o sabão líquido para roupas Ypê Tixan Primavera — estavam, mas ela só recebeu o estorno das duas lava louças, e semanas depois.

— Preencha o formulário e deixe a análise. Dias depois, preenchi mais um formulário por e-mail também. E coloquei meu Pix. Três semanas depois, em 28 de maio, eles mandaram R$ 5,98 dos detergentes, e não voltei mais ao SAC para reclamação — ela conta, afirmando ter pago R$ 25 no lava-roupas líquido.

De acordo com a lista divulgada pela Anvisa, o modelo do sabão para roupas está incluído no recall.

Tentativa de reversão

Enquanto as reclamações escalam, a marca faz testes nos itens do lote suspenso que podem devolver a liberação para comercialização e uso. As análises estão sendo realizadas por laboratórios credenciados pela Anvisa.

Em seu último comunicado, a Ypê orientou os consumidores a guardarem os produtos da lista que possuíam o final do lote o número 1 produzido antes de março. Eles passam por testes laboratoriais que, se ratificados pela Anvisa, podem receber aval para voltarem a serem comercializados e utilizados pelos clientes.

Procurada, a Ypê não respondeu imediatamente aos questionamentos sobre o número de reclamações e qual é a média do intervalo entre o registro pelos clientes e a devolução. A Ypê também não respondeu porque, no caso de Larissa, um dos itens sob recall não foi reembolsado.

O EXTRA tenta, por meio da assessoria de imprensa, uma resposta institucional da empresa sobre o sistema de devoluções desde 28 de maio, além de ter pedido de entrevista com um porta-voz da Ypê. Diante do silêncio da empresa, a reportagem interessada ao diretor de Operações da marca, Eduardo Beira, mas o pedido também não foi atendido.