Finanças
Governo Lula diz que argumento dos EUA para tarifa de 12,5% por condições de trabalho é 'absurdo' e 'lamentável'
O governo divulgou nota, nesta quarta-feira, na qual afirma que o argumento dos para tarifa de 12,5% por condições de trabalho é "absurdo" e "lamentável".
Por que o incomoda tanto os EUA?
Leis contra trabalho escravo, fiscalização e acordos internacionais:
"É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais", diz o texto.
"É um absurdo tentar associar a competividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o como referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político", afirma.
Nesta quarta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado.
Essa tarifa se somaria a proposta a uma outra: na segunda-feira, governo de e recomendou a . Paralelamente, os EUA também classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na nota, o governo manifestou "profunda discordância" com a conclusão a respeito do trabalho forçado e disse que o Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, "para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional".
Argumentos:
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após o anúncio de . Em reunião com ministros no Palácio do Planalto, Lula disse que recorrerá ao presidente Donald Trump e que pode procurar outros parceiros comerciais caso os americanos não estejam dispostos a negociar.
— Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana, não é possível — afirmou Lula. — Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado.
Por que agora?
Durante a reunião no Planalto, uma tela ao fundo exibia os dizeres "o Pix é do Brasil",, de que o país adota práticas desleais de comércio por meio do sistema de pagamentos instantâneo usado por milhões de brasileiros.
A defesa da soberania e do Pix se tornou o ponto central da reação brasileira às medidas anunciadas pelos EUA e trunfo eleitoral de Lula, que acusa a família Bolsonaro, em especial o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, de ter articulado as sanções junto a Trump.
Carta a Trump
O presidente também anunciou que pretende mandar uma nova carta a Trump para tentar derrubar as novas tarifas impostas ao Brasil pelo governo americano. Segundo Lula, a ideia é mostrar que os EUA "estão equivocados".
— Vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários na imprensa americana e mundial para mostrar que eles estão errados, equivocados e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária — disse Lula.
Novos parceiros
Lula ainda disse que, caso os EUA não aceitarem negociar, não vai "ficar chorando" e buscará novos parceiros comerciais.
Estratégia:
— Eles têm o direito de não querer (negociar). Agora, nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros, se ele não quer comprar a gente vai vender para quem quiser comprar, não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui vamos procurar outros. O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Por conta da soberania, faremos tudo o que for necessário, não cederemos.
Participação no G7
O presidente disse que inicialmente não planejava ir à Cúpula do G7, entre os dias 15 a 17 de junho, em Paris, mas que após a nova decisão dos EUA, resolveu que irá ao encontro. A previsão é que Trump também participe.
Ele defendeu acordos multilaterais, entre vários países, como saída para evitar ações unilaterais como as adotadas pelos EUA ao tarifar os países.
— O que eu quero é provar que somente é possível a gente viver em paz se a gente fortalecer a democracia, o multilateralismo e se a gente tratar com responsabilidade a relação entre chefes de Estado — afirmou o presidente brasileiro.
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