Finanças
BC alerta que endividamento das famílias está historicamente elevado e segue aumentando
Em ata, comitê do Banco Central afirma que esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito.
O endividamento e o comprometimento de renda das famílias brasileiras estão historicamente elevados e seguiram crescendo, alertou o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central (BC), em ata divulgada nesta quarta-feira.
No documento, o BC afiram que o ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado endividamento de famílias e empresas, requer cautela e diligência nas concessões de crédito. Também menciona que as empresas estão sentindo o aperto monetário, embora a maior parte das corporações demonstre resiliência.
“O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda", alertou o comitê, afirmando que continuará aprofundando o debate sobre esse tema.
Na visão do Comitê, esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito.
Em março, últimos dados disponíveis, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro oscilou para 49,8%, depois de repetir o pico da série histórica em fevereiro, quando chegou a 49,9%, segundo o BC.
Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento permaneceu em 31,4%, mesmo nível em que estava em fevereiro.
O comprometimento de renda das famílias com dívidas foi de 29,3%. Sem contar os empréstimos imobiliários, 27%.
O governo lançou no mês passado o Desenrola Brasil, voltado para renegociação de dívidas das famílias. O programa permite a troca de dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia por um contrato mais barato, com taxas limitadas a 1,99% ao mês.
O pacote foi preparado pela equipe econômica com o objetivo de aliviar o orçamento das famílias com o pagamento das dívidas bancárias.
O endividamento é visto com preocupação pela equipe de Lula é apontado como um dos fatores para a queda de sua aprovação e seu desempenho nas pesquisas para a eleição de outubro, na qual buscará a reeleição.
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