Finanças
Lula ataca Rubio por tarifaço, diz que vai mandar carta para Trump
Encontro reúne ministros pela segunda vez no ano e ocorre após Washington recomendar novas tarifas contra produtos brasileiros e classificar PCC e CV como organizações terroristas
Em reunião ministerial nesta quarta-feira (dia 4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após o anúncio de novas tarifas para produtos brasileiros. No Palácio do Planalto, ele disse que recorrerá ao presidente Donald Trump e que poderá procurar outros parceiros comerciais caso os americanos não estejam interessados em negociar.
— Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil esta semana, não é possível — afirmou Lula. — Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado.
Durante uma reunião no Planalto, uma tela ao fundo exibia os dízeres "o Pix é do Brasil", em referência à acusação feita pelo Escritório do Comércio Americano (USTR) para sobretaxar o Brasil, de que o país adota práticas desleais de negociações por meio do sistema de pagamentos instantâneos usados por milhões de brasileiros.
A defesa da soberania e do Pix se tornou o ponto central da ocorrência brasileira às medidas anunciadas pelos EUA e trunfo eleitoral de Lula, que acusa a família Bolsonaro, em especial o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, de terem articulado as sanções junto a Trump.
Carta a Trump
O presidente também anunciou que pretende mandar uma nova carta a Trump para tentar romper as novas tarifas impostas ao Brasil pelo governo americano. Segundo Lula, a ideia é mostrar que os EUA "estão equivovados".
— Vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos são necessários na imprensa americana e mundial para mostrar que eles estão errados, equivocados e que estão induzindo o mundo a uma violência ocasional — disse Lula.
Novos parceiros
Lula ainda disse que, caso os EUA não aceite negociar, não vai "ficar chorando" e buscar novos parceiros comerciais.
— Eles têm o direito de não querer (negociar). Agora, nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros, se ele não quer comprar a gente vai vender para quem quiser comprar, não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui vamos procurar outros. O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Por conta da soberania tudo o que for necessário, não cederemos.
Embora a reunião ministerial tenha sido convocada antes dos anúncios feitos por Washington, os desdobramentos da relação entre Brasil e Estados Unidos dominaram o início do encontro. Nos últimos dois dias, o governo de Donald Trump concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e recomendou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Nesta quarta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) deu mais um passo e propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre os preços atuais brasileiros no âmbito de uma investigação sobre trabalho proposto. Paralelamente, os EUA também classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Participação no G7
O presidente disse que inicialmente não planejou ir à Cúpula do G7, entre os dias 15 a 17 de junho, em Paris, mas que após a nova decisão dos EUA, resolveu que irá ao encontro. A previsão é que Trump também participe.
Ele defende acordos multilaterais, entre vários países, como saída para evitar ações unilaterais como as obrigações pelos EUA ao tarifar os países.
— O que eu quero é provar que só é possível a gente viver em paz se a gente fortalecer a democracia, o multilateralismo e se a gente tratar com responsabilidade a relação entre chefes de Estado — afirmou o presidente brasileiro.
Recado para ministros
O encontro ocorre em um momento de pressão externa após os Estados Unidos anunciarem novas medidas sobre o Brasil, incluindo a recomendação de tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Esta é a segunda reunião ministerial realizada por Lula em 2026. A primeira ocorreu em março, após uma reforma ministerial promovida pelo governo em razão da saída de ministros que disputarão as eleições deste ano. Desde então, diversas pastas passaram a ser comandadas por novos titulares, muitos deles promovidos dos cargos de secretários-executivos.
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