Finanças

iFood inicia entregas por drones em condomínio em São Paulo

Em Alphaville, operação liga restaurantes do shopping Iguatemi a residencial em Barueri

Agência O Globo - 02/06/2026
iFood inicia entregas por drones em condomínio em São Paulo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

No condomínio Alphaville Residencial Zero, em Barueri (SP), já é possível receber pedidos do iFood com ajuda de drones. A operação começou ao meio-dia desta segunda-feira (2), conectando restaurantes do shopping Iguatemi Alphaville aos 2.500 moradores do residencial, localizado a 3,5 quilômetros de distância. A aeronave completa o percurso em cerca de cinco minutos.

É a primeira vez que o modelo chega a um condomínio da Grande São Paulo. Além de reduzir o tempo de deslocamento, o modelo tenta resolver um problema comum nas entregas para residenciais fechados, que é a demora para que entregadores façam o cadastro na portaria.

O modelo funciona assim: depois de preparar o pedido, o restaurante entrega a sacola para a ADA, robô terrestre do iFood, que leva o pacote até a base de decolagem. Lá, o drone é carregado e segue até o condomínio, onde um entregador espera e conclui o último trecho até o cliente.

No mapa, será possível acompanhar o pedido da mesma forma que o consumidor pode acompanhar entregas convencionais.

Os drones operam de forma automatizada, supervisionados por um operador humano. As aeronaves têm autonomia de até 10 quilômetros em trajetos de ida e volta ou 23 quilômetros em apenas um sentido, com velocidades de até 50 km/h.

A nova rota contará com dois drones. Cada aeronave suporta até 10 quilos, mas a certificação atual autoriza apenas o transporte de cargas de até 5 quilos. Ou seja, a quantidade de pedidos por viagem varia conforme o peso e o volume dos pacotes.

A nova rota segue um modelo semelhante ao que o iFood já mantém em Recife. Lá, os drones ajudaram a superar a barreira de área de mata nativa entre restaurantes e condomínios, o que tornava as entregas mais lentas.

Em setembro do ano passado, a empresa retomou comercialmente as entregas por drones após obter a primeira autorização permanente do país para voos sobre áreas povoadas, em Aracaju. Em uma das rotas da cidade, o tempo total de deslocamento caiu de cerca de uma hora para 30 minutos com a integração aérea.

A expectativa do iFood é que a nova rota realize cerca de 500 entregas por mês. Em Aracaju, a operação supera mil pedidos mensais. A empresa espera que o modelo possa ser replicado em outros empreendimentos próximos ao shopping:

— A ideia é ter um shopping grande com vários restaurantes e vários condomínios em volta. Nosso sonho é que essa rota consiga destravar novos condomínios e que a empresa consiga, com essa mesma estrutura aqui, abrir novos pontos de pouso e atender novos pedidos — diz Arnaldo Bertolaccini, VP de Logística do iFood, acrescentando que a nova modalidade não terá custo extra para os consumidores em relação às entregas convencionais.

Em Barueri, o problema era o tempo e cadastro previsto nos procedimentos de acesso ao condomínio. Segundo o iFood, aproximadamente metade dos entregadores prefere recusar corridas para o local por conta da demora.

A empresa afirma ainda que a mudança não deverá trazer perdas financeiras aos entregadores. Segundo o iFood, o tempo antes gasto aguardando autorização para entrar nos condomínios tende a ser compensado pelo aumento do volume de entregas disponíveis dentro da área atendida.

— Além da velocidade, temos um ingrediente adicional (nessa nova rota), que é o tempo de espera do entregador para fazer o cadastro dentro dos condomínios. Isso gerava uma perda de renda para o entregador e um tempo adicional de entrega — conclui Bertolaccini.

Manoel Coelho, cofundador e CEO da Speedbird Aero, diz que a rota em Barueri está entre as mais complexas já desenvolvidas pela companhia, que fabrica os drones usados pelo IFood. Ele lembra que o Brasil tem o segundo espaço aéreo mais congestionado do mundo.

— Para voar no Brasil, é preciso tecnologia, segurança e confiança no equipamento. Nós começamos (a testar) em locais que não eram tão complexos como aqui, em vários lugares do mundo. Voltamos agora para essa rota que é, sem dúvida, a mais desafiadora. A rota de cada um dos drones, que altitude nós vamos voar, isso tudo é predeterminado para que sempre haja uma consistência nas operações.

Coelho acrescenta que a empresa trabalha em uma tecnologia para aumentar a precisão da previsão das condições climáticas ao longo das rotas. O desafio, segundo ele, é que os drones operam mais próximos do solo do que as aeronaves convencionais, para as quais foram desenvolvidos os sistemas tradicionais de monitoramento aéreo.

A ferramenta ainda está em fase de testes. Mesmo assim, ele diz que as aeronaves já demonstraram resistência em condições adversas nos outros países onde são usadas.