Finanças

Após tarifaço dos EUA, Lula destaca abertura do mercado chinês para carne brasileira e fala em ‘vender para outro’

Governo brasileiro diz que reconhecimento sanitário da China deve ampliar exportações de carne bovina ao país

Agência O Globo - 02/06/2026
Após tarifaço dos EUA, Lula destaca abertura do mercado chinês para carne brasileira e fala em ‘vender para outro’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio da Silva comemorou o reconhecimento do Brasil como livre da febre aftosa pela China. Ele ressaltou que a decisão do governo chinês veio no mesmo dia em que o governo dos Estados Unidos apresentou uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Argumentos:

Minerais críticos, superávit comercial e combate ao crime:

Segundo Lula, o reconhecimento abre espaço para que o Brasil possa vender carne para outros países. Desde a implementação da primeira tarifa dos Estados Unidos, o governo brasileiro tem pregado a diversificação de parceiros comerciais em diversos setores, inclusive agropecuário.

— Mas como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje para se contrapor à medida do (Donald) Trump (presidente dos EUA)? A China aceitou que o Brasil é nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, veja, eu tenho muita sorte, não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, pode ficar com suas coisas, eu vou vender para outro — afirmou Lula em evento em Goiás nesta terça-feira.

Míriam Leitão:

A febre aftosa é uma doença viral que afeta bovinos e suínos. O bloqueio deve reconhecer as restrições que vigoram atualmente. O Ministério da Agricultura e Pecuária disse em nota que a decisão deve ampliar as oportunidades para as exportações de produtos bovinos e suínos oriundos do Brasil no mercado chinês, “como miúdos e carne com osso”.

Segundo dados do governo, as exportações do agronegócio brasileiro com destino à China ultrapassaram US$ 50 bilhões em 2025.

No evento em Catalão (GO), o presidente ressaltou que as novas tarifas propostas pelo governo americano devem prejudicar setores da economia brasileira, como o agro.

— Só para você lembrar, ele (Flávio Bolsonaro) hoje foi dizer que não falou nada. Ele falou. Ele foi pedir arrego. Foi: “Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, pq o Lula vai ganhar as eleições Trump, não deixa, prejudica o Lula”. Imbecil, ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários, nosso agronegócio.

Sobretaxa dos EUA:

O relatório divulgado pelo governo americano afirma que certas políticas e práticas do Brasil seriam "irrazoáveis" e prejudicariam as empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o Pix, questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção.

Nos bastidores, membros do governo brasileiro consideraram a proposta sem fundamento técnico consistente e classificaram como "absurda" a inclusão de alguns argumentos apresentados pelos americanos. Ao mesmo tempo, auxiliares do presidente Lula avaliaram que o resultado poderia ter sido mais severo, já que a tarifa sugerida ficou em 25% e o documento prevê uma ampla lista de abordagens, além de mencionar a possibilidade de um acordo entre os dois países.

Em um encontro nesta terça-feira, os ministros do governo deverão alinhar a estratégia do governo diante da nova escalada comercial. Entre as alternativas em análise estão a manutenção das negociações com Washington, por meio do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e em maio, e possíveis medidas de resposta com base nos instrumentos previstos pela Lei da Reciprocidade Econômica.