Finanças

BMW aposta em robôs humanoides na montagem de carros na Europa

Modelo Aeon está em testes na fábrica de Leipzig e deve entrar em operação durante o verão europeu

Agência O Globo - 29/05/2026
BMW aposta em robôs humanoides na montagem de carros na Europa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A BMW está prestes a dar um passo iniciado na Europa ao incorporar robôs humanoides na fabricação de automóveis. A montadara alemã confirmou que dois robôs do modelo Aeon, desenvolvidos pela Hexagon Robotics, estão em fase de testes na fábrica de Leipzig, na Alemanha, e devem começar a atuar nas linhas de produção já no verão europeu.

Transformação na indústria

A iniciativa é considerada pela BMW um marco na transformação da indústria automotiva. “Este será o futuro da produção automotiva”, afirmou Michael Nikolaides, responsável pela gestão de processos e digitalização da empresa.

A utilização de braços robóticos e sistemas automatizados já é uma realidade há décadas no setor automobilístico. A novidade agora é a adoção de robôs com aparência e dimensões semelhantes às humanas, capazes de operar em ambientes originalmente projetados para trabalhadores.

Segundo Nikolaides, a principal vantagem dos robôs humanoides é a compatibilidade com a infraestrutura já existente. “Se você tem uma forma humanóide, pode praticamente colocá-la em qualquer local de trabalho onde um humano esteja hoje, pois ela tem o mesmo tamanho e as mesmas capacidades”, explicou.

Vantagem econômica e adaptação

A mudança é impulsionada também por fatores econômicos. Com a redução do custo dos robôs e o alto investimento necessário para reformular linhas de produção inteiras, tornou-se mais vantajoso adaptar as máquinas ao ambiente atual. Para Bill Ray, vice-presidente sênior de consultoria do Gartner, essa lógica representa uma mudança importante na automação industrial. "Antes, quando um robô custava milhões, você reorganizava a fábrica em torno dele. Hoje, a ideia é integrá-lo ao modelo de trabalho já existente", afirmou.

Características do Aeon

O robô Aeon tem 1,65 metro de altura, pesa 60 quilos e foi projetado para reproduzir movimentos humanos. Ele pode atingir velocidade de até 2,4 metros por segundo e transportar até 15 quilos por curtos períodos ou oito quilos continuamente.

O sistema conta com 21 sensores, incluindo câmeras, radar, microfones e sensores de força e torque, permitindo que o robô identifique objetos, interaja com o ambiente e realize tarefas complexas de manipulação.

Treinamento com IA e aprendizado por observação

A BMW utilizou uma combinação de inteligência artificial, simulação virtual e aprendizado por observação para treinar os robôs. Parte do processo ocorreu em um “gêmeo digital” de fábrica, criado com tecnologia da Nvidia. Nesse ambiente virtual, os robôs repetiram milhares de vezes as mesmas tarefas, identificando as estratégias mais eficientes, em um método conhecido como aprendizado por reforço.

Além disso, a Hexagon utilizou sensores instalados em operadores humanos para registrar movimentos e ensinar ações específicas aos robôs, como pegar peças e movimentar componentes. Segundo Arnaud Robert, presidente da divisão de robótica da Hexagon, o chamado aprendizado por imitação está revolucionando o setor. “A melhor tradução entre humano e robô acontece quando professor e aluno possuem a mesma forma física”, destacou.

A expectativa da empresa é que, em breve, os robôs possam aprender novas atividades apenas observando os trabalhadores em ação. "Esse é o cenário ideal. Provavelmente estamos falando de algo que acontecerá dentro de um ou dois anos", afirmou Robert.

Desafios e perspectivas

Os especialistas acreditam que a evolução será rápida. De acordo com Bill Ray, em três a cinco anos os robôs poderão receber instruções verbais simples e executar atividades de maneira autônoma em fábricas e centros logísticos.

Um dos desafios atuais é a autonomia energética. O Aeon opera por cerca de três horas antes de precisar recarregar. Para contornar essas limitações, os engenheiros desenvolveram um sistema que permite ao próprio robô trocar sua bateria em aproximadamente três minutos, incluindo o posicionamento até a estação de carregamento.