Finanças
Comissão da Câmara vota hoje proposta que põe fim à escala 6x1 e reduz jornada semanal
Proposta prevê redução gradual da carga horária de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de folga por semana
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1, na qual o empregado trabalha seis dias e folga um, será votada nesta quarta-feira (12) pela comissão especial da Câmara dos Deputados. O texto assegura a todos os trabalhadores dois dias de folga semanais e, caso aprovado, seguirá para votação no plenário da Casa.
Jornada de trabalho será reduzida
A proposta foi apresentada após acordo entre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A medida prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais em um período de transição de 14 meses. Os dois dias de folga por semana passarão a valer 60 dias após a promulgação da PEC, caso aprovada pelo Congresso.
Segundo o texto, 60 dias após a promulgação, a jornada máxima será reduzida imediatamente para 42 horas semanais. Em até 12 meses, haverá nova redução, chegando ao limite de 40 horas semanais.
Dois dias de folga semanais e manutenção salarial
A PEC garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Atualmente, a legislação exige apenas um dia de descanso semanal. As folgas não precisam ser consecutivas. O texto também assegura que não haverá redução de salários ou pisos salariais.
Regras gerais e exceções
A duração do trabalho normal não poderá exceder 8 horas diárias e 40 horas semanais, sendo permitida a compensação de horários e a redução da jornada por acordo ou convenção coletiva. Excepcionalmente, acordos coletivos poderão estabelecer regimes compensatórios, desde que garantam a média de dois dias de repouso semanal remunerado no mês, com pelo menos um dia de descanso por semana.
Uma nova lei deverá definir hipóteses e condições para regimes diferenciados de jornada e folga, respeitando os limites previstos pela PEC.
Transição e contratos públicos
A transição para a nova jornada será progressiva: 60 dias após a aprovação, o limite será de 42 horas semanais; após mais 12 meses, o teto passa a ser de 40 horas. Contratos da administração pública direta e indireta que envolvam mão de obra serão ajustados em até 12 meses após a aprovação da emenda, para garantir o equilíbrio econômico-financeiro.
Exceções para salários altos
Empregados com diploma de nível superior e remuneração mensal igual ou superior a 2,5 vezes o teto do INSS (atualmente, R$ 21.188) não estarão sujeitos às novas regras de jornada, salvo se houver acordo coletivo ou liberalidade do empregador. Essa exceção não se aplica a servidores públicos.
Mitigação de impactos para pequenos negócios
Uma nova lei poderá criar medidas transitórias para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos níveis de emprego, a fim de mitigar os impactos da redução da jornada.
Justiça do Trabalho
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ações relacionadas à nova jornada e folgas.
Jornadas já inferiores a 40 horas
Trabalhadores que já cumprem jornadas iguais ou inferiores a 40 horas semanais não terão alteração em suas cargas horárias.
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