Finanças

Inflação prevista pelo Focus supera 5%, mas Copom deve manter cortes graduais nos juros

Comitê de Política Monetária tende a manter reduções cautelosas de 0,25 ponto percentual até o fim de 2024

Agência O Globo - 25/05/2026
Inflação prevista pelo Focus supera 5%, mas Copom deve manter cortes graduais nos juros
Inflação prevista pelo Focus supera 5%, mas Copom deve manter cortes graduais nos juros - Foto: Reprodução

As projeções para a inflação de 2026 subiram novamente no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. Pela primeira vez neste ano, a média das expectativas do mercado ultrapassou os 5%, atingindo 5,04% e se afastando ainda mais do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Este é o 11º aumento consecutivo nas previsões.

Selic alta

PIB, inflação e emprego

Ainda assim, economistas avaliam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve continuar com o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, embora de forma mais cautelosa. Para Fábio Romão, economista da 4intelligence, há risco de interrupção nos cortes, mas o cenário mais provável é o de reduções em ritmo mais lento, com ajustes de 0,25 ponto percentual até o final do ano.

“A Selic está num patamar restritivo e há uma margem de manobra. Mesmo com cortes, a taxa continuará elevada e não estimulará a atividade econômica”, afirmou Romão.

Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, ressaltou que a janela de tempo utilizada pelo Banco Central para projetar a trajetória da inflação já considera 2027, embora surpresas de alta para o fim deste ano exijam cautela.

Ela explica que as projeções do Focus para o final do próximo ano também estão em alta, chegando a 4,01%. Segundo a economista, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã é um dos principais fatores para essa pressão, além de outras influências sobre os preços de itens como alimentos.

“Nos próximos meses, os alimentos devem continuar subindo como reflexo imediato da guerra. Inicialmente, houve aumento nos combustíveis, seguido pelo encarecimento dos alimentos, agravado também pela sazonalidade desfavorável”, avaliou Andréa.

Até o momento, a guerra vinha impactando os alimentos por meio do aumento do frete, devido à alta dos combustíveis. No entanto, a possível redução da oferta mundial de fertilizantes pode pressionar ainda mais os preços. Esse cenário, aliado à previsão de El Niño, faz com que Romão projete uma alta de 7% para a alimentação no domicílio até o fim do ano — bem acima dos 3,6% previstos pelo Focus em 27 de fevereiro, antes do início do conflito.